August 14, 2008

Mais complicado que querer é pensar no que se quer. Porque pensar implica num esforço e subseqüente plano de ações irrealizáveis que não te levarão a conquistar o objeto de requisição. Vejamos: o sorvete está a 750 quilômetros daqui. Uma atitude razoável seria percorrer os 750 quilômetros e comprá-lo e comê-lo. Uma segunda atitude razoável seria pedir a alguém que - por gentiliza - enviasse o tal do doce até aqui. Por sedex. Uma terceira atitude, nada razável, seria pedir a receita do alimento gelado (para enviá-la a sorveteria mais próxima, evidente). Uma quarta ação seria sonhar com o sorvete e todos os seus gigantes flocos de chocolate ao leite. Uma quinta atitude seria comprar qualquer sorvete similar. Uma sexta atitude seria matar o passante mais próximo, para que a energia gasta com a vontade de ingerir o sorvete seja melhor empregada com a preocupação referente aos trâmites legais que inevitavelmente enfrentarei.

Mas não, dormir faz a vontade passar. E vontade é diferente de dor, né Chico?





Paro e penso no que quero. Carreira - certo. Amor - super certo. Sorvete de menta com flocos - 750 quilômetros distante. Eu deveria querer coisas não monopolizadas, deveria mesmo.





August 6, 2008

De repente não mais que de repente eu comecei a ler e gostar de livros técnicos. Pior: livros técnicos solicitados pela universidade. O ‘da bola’ é leitura obrigatória para a disciplina Ação Cultural: MILANESI, Luís. A casa da invenção: centros de cultura : um perfil . São Paulo; Siciliano, c1991. 189p. ISBN 8526704028. (NBR 6023) 
O livro discute o surto nacional do momento: a solicitação, por parte dos municípios, da criação de "centros culturais". Espaços que, quando construídos, servem apenas para deixar claro a possíveis turistas que "neste lugar se prima pela vida culta da população ADM 2004-2008".
O legal dessa disciplina é que teremos a oportunidade de sonhar uma Casa de Cultura - da arquitetura ao funcionamento. Tenho muitas idéias - MUITAS - completamente utópicas, mas quem sabe algum dia aplicáveis. Não as descreverei aqui porque quero que seja surpresa para meus colegas. Contudo, gostaria de terceiras opiniões: Anti, Tiago, o que deve ter num centro cultura IDEAL? E arquitetonicamente, como seria?





July 22, 2008

Menstruação atrasada. Dentro do prazo, mas atrasada. Eu fiz tudo certo, sei que fiz. Até despertador eu coloquei pra tomar a droga da bala na mesma hora sempre. Eu sei que virá, sinto um pouquinho de cólica desde ontem. Mas ainda assim o desespero. Saco.
Então lembrei de um texto que li para meu hímen um dia, e decidi colocá-lo aqui, para o público masculino tentar sentir um pouco de uma das grandes angústias femininas. A opinião sobre o aborto é a mesma que eu sustento.

 

Minha opinião sobre aborto? Bem, digamos que a essência é a mesma, mas os argumentos mudaram consideravelmente.

Antes:
É egoísmo obrigar a vir ao mundo uma criança que não será querida. E ela sabe disso, ah, se sabe, antes mesmo de nascer. Pra que? Pra ter mais um sem ter o que comer, onde estudar, onde trabalhar? Pra criar mais uma família desestruturada onde só há desentendimento e frustração? Pra mais uma criança abandonada na rua? Não, meu amigo, se você não vai dar uma boa estrutura familiar (e refiro-me a questões financeiras e afetivas) não me faça essa sacanagem com um inocente, porque de gente problemática o mundo já está cheio.

Depois:
Menstruação atrasa. Teste da farmácia dá positivo.Putaqueopariu, não dá pra confiar em camisinha. Por que diabos eu fui parar de tomar a merda da pílula? Nessa hora eu não pensei na vida que daria pra criança, pensei na minha. Na faculdade e no curso técnico por terminar, no estágio, em tudo o que eu ainda queria fazer, nos projetos de sair da casa dos meus pais, de passar uns anos trabalhando fora, de juntar uma grana e me perder no mundo sem dar sinal de vida pra ninguém, de ter casa própria…
Depois pensei na minha mãe, na decepção que ela teria, nos sonhos todos que meu pai coruja tinha feito para a única filha dele, no que eu diria, e se diria, pro ex (sim, porque Murphy rege a minha vida e o namorico de pouco mais de um mês tinha recém terminado). Pensei em pedir abrigo pra pseudo-tia que mora em outro estado, ter a criança e entregá-la a uma instituição, mas mamãe trabalhava com serviço social e eu já conhecia histórias escabrosas suficientes sobre esses lugares. Pensei em virar mãe e entrei em pânico só de pensar na possibilidade de acabar odiando a criança e culpando-a por todas as minhas frustrações. Pensei que naquela altura eu era o orgulho da família, a neta exemplar que trabalhava sem parar e nunca tinha tirado uma nota baixa na vida, e na cara com que iria olhar para o clã no almoço de domingo. Pensei na minha mísera fonte de renda e na mesada que ainda recebia, nos anos de economia de papai para que pudesse se aposentar e morar na praia e se teria coragem de pedir que abrisse mão deles.
Pensei em aborto. Em tomar remédio pra úlcera e provocar emorragia. Pra garantir, também pensei em agulha de tricô vagina adentro. Foda-se o que acontece depois, o importante é que sai. Pensei em procurar uma clínica, mas como é que eu encontraria algo do tipo se não podia contar pra ninguém? Sim, porque eu estava planejando um crime, não podia comprometer as pessoas em quem confiava obrigando-as a serem cúmplices. Isso fora a consciência me chamando de assassina.
Passei noites sem dormir e quando finalmente conseguia pregar os olhos tinha pesadelos com choro de criança. Eu não podia ter um filho. Não daquele jeito. Eu sonhava, e ainda sonho, em casar e ter filhos. E se desse tudo errado e eu ficasse estéril? E se meus pais tivessem que assistir ao enterro da própria filha depois de um médico desconhecido dizer que ela sofreu complicações decorrentes de um aborto mal feito?
Alguns dias depois o raciocínio lógico consegui se sobrepor ao conflito entre culpa e desespero e fiz exame de sangue. Negativo.

Saldo final:
Não sei dizer quanto tempo isso levou. Poucos dias com certeza, decididamente os piores de toda a minha vida. Este depoimento levou dois dias pra ser escrito, pois em determinados momentos a vista embaçava demais, em outros a emoção tomava conta e eu ficava impossibilitada de escrever frases com começo, meio e fim ou qualquer coisa que fizesse sentido. E isso porque eu não fiz um aborto. Mas faria e provavelmente até o último minuto não saberia se aquela era a decisão certa. Pense agora em quem chegou às vias de fato.
Voltando ao assunto principal, que diferença faz a descriminalização? A diferença de poder dividir a angústia, de ter apoio psicológico, de poder conversar sobre isso e tomar atitudes mais conscientes. Diferença de entrar num hospital, submeter-se a um procedimento acompanhada por uma equipe de confiança e ter a quem recorrer caso algo saia errado. Crime ou não, mulheres desesperadas continuarão fazendo abortos. Que pelo menos sobrevivam a eles, e com a menor quantidade de seqüelas possível.

 

Fonte: http://www.verbeat.org/blogs/coerencia/arquivos/2005/09/

 

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Update: VEIO. *suspiro de alívio*
E mês que vem será essa mesma aflição de novo. E de novo. E de novo.





July 20, 2008

Inglês é chique. Inglês é fácil. Inglês tem som de leite condensado com cereja. Inglês é tudo o que você precisa saber para escrever um "About me" perfeito - porque o perfeito é inintelígivel, e é este o ponto. Português pra quê. Brasil pra quê. "Que" com acento?
E o dicionário bilíngue aqui ao lado. Me explico: estudando pra saber ignorar*. É.

*Tom Zé - Tô.