November 5, 2009

Liso


Por que o belo está vinculado à inexistência de texturas?
Ver fotos de mulheres lisas e paisagens forçadas está me dando nos nervos.

Logo logo o vidro vira objeto de cobiça e status social. Sem pêlo e espinhas e marcas do tempo. 

 

[
não há prazer comparável ao de passar a mão nas ondinhas de estrias que o Bombonzinho tem no bumbum farto.
sério.
]

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


October 15, 2009

Gavolices


Então eu arrisquei alto e, ainda que a desesperança insistisse em afirmar que não, eu não sei nada ainda, não posso querer tanto, não posso, ainda que a desesperança insistisse, eu consegui e agora eu posso ligar para meu pai e dizer: não precisa mais mandar nada, nunca mais, eu cresci, finalmente eu cresci e já sei me virar sozinha nessa cidade grande e confusa.

Mas nem tudo é ganho: eu adoro meu agora ex-estágio e sentirei muita falta daquela biblioteca linda-aconchegante-estilo-europeu e daquelas pessoas morenas loucas-atucanadas que provocaram uma transformação muito muito profunda no meu ser. 

 

Sentirei saudades. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


October 5, 2009

Citação de hoje:



                     clique para ampliar

Retirada de Hellboy - contos bizarros. Muito muito muito bom. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 26, 2009

Clube da luta


De uns tempos pra cá eu tenho pensado muito em coisas materiais. Antes não era assim, porque não havia razão para ser assim. Mas hoje, depois de me submeter a tantos inconvenientes, eu só penso no depois: no concurso em que passarei, na casa que terei, no carro que comprarei, na casa que darei aos meus pais, na decoração, nos livros, na parede cheia de quadrinhos e partituras.
Daí acontece Clube da Luta. Eu assisto e choro: porque o vazio é vazio sempre, com ou sem cama confortável.

 Chorar é só o que dá para fazer nesta escuridão asfixiante,
dentro de outra pessoa,
quando você percebe que tudo o que já fez
não passa de lixo.

Não sei quem inventou esse jogo de dar e destruir esperanças. É uma constante: você quer, você luta, na metade descobre que o resultado ficará muito aquém do esperado e no fim percebe que de nada adiantou.

 É só um momento, disse Tyler,
você dá um duro danado, mas um momento de perfeição vale qualquer esforço.
Um momento é o máximo que se pode esperar da perfeição.

E a dor – sempre ela – fundamentando tudo. O fim de qualquer coisa é o sofrimento. A igreja faz isso por meio do pecado. O sistema faz isso por meio do dinheiro. A mídia faz isso explorando ilusões.
Tudo é um grande logro. Você acha que não, mas terminará no fundo do poço. Pobre ou rico, o fundo do poço é o mesmo para todo mundo. Tédio e fome tem efeitos similares quando experimentados em excesso. Clube da Luta foi um tapa na cara. Não muito forte, porque sem bens materiais não iríamos muito longe. É isso que nos distingue dos homens primitivos: possuímos apêndices. Os selvagens são completos. Nós somos os nossos computadores, rádios, TVs e livros.
O livro e o filme ressuscitaram idéias antigas: se ninguém concorda com as convenções socialmente aceitas, porque continuamos fazendo de conta que a vida é assim mesmo?

O importante é não esquecer o resto de você
quando uma parte vai mal.

E teve ainda a exposição da nossa fragilidade – física e intelectual. A exposição da nossa suscetibilidade, nossa capacidade de dominação e submissão (a uma ideologia, a uma pessoa, a um trabalho). A elevação do ser humano ao nada. Se começássemos nossa existência com o pressuposto de que nada somos e de que não existe razão alguma para estarmos vivos, certamente apreciaríamos tudo isso com outro paladar. Mas não, precisamos sempre fazer algo para sermos alguém. “Ser alguém” é sempre um projeto futuro, nunca uma qualidade presente.
Mas o pior, o pior mesmo, é rebelar-se internamente e ser um exemplo de “cidadão ideal” nas práticas cotidianas. É essa minha maior frustração.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 25, 2009

A tragicomédia acadêmica


FINALMENTE encontrei alguém que soube expressar de modo exato o que eu penso sobre o sistema educacional e a Universidade.  Leia ou ouça o conto aqui.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 20, 2009

Michelangelo é meu alter ego


Uma vez eu li um divertido tutorial sobre stencil. Daí hoje é domingo e eu tirei o dia pra mim. Arranquei as capas plásticas de algumas apostilas velhas, sacrifiquei uma esponja nova e saiu isso:

 

e isso: 

 

A próxima vai ser "Reading is sexy". Só não encontrei um desenho bacana (e fácil) pra colocar junto. Alguma sugestão?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 19, 2009

dear friend:


Estou mal. Cólica, dor de cabeça, cansaço. Chego em casa às 16:00. Faço meu almoço – faço errado – e começo a assistir “o anticristo”. Durmo na metade, coloco despertador para às 20:30. Preciso terminar um trabalho ainda hoje. Acordo pior: a dor de cabeça acentuou-se e a cólica ficou mais forte. Luto contra a vontade de permanecer dormindo: amanhã tenho outros dois trabalhos para terminar, não há como adiar o de hoje. Começo a ler, sinto asco. “Avaliação de fontes da internet”, uma babaquice sem tamanho. Quem ficaria duas horas diante de uma página analisando sua autoria, seu layout, procurando data de atualização e verificando se o conteúdo condiz com seu objetivo?
Espero ansiosamente até às 22:30. Ele sai da aula nesse horário. Eu preciso dizer que só uma trepada salvará minha semana. Ele atende, há barulho em volta. Ele atende e diz que ligará daqui a pouco. Eu continuo o trabalho, a mágoa tomando espaço e exterminando a pouca concentração que consigo despender com coisas que detesto. Termino. Sinto meu corpo expulsar a tensão. Ainda a cólica. Continuo a assistir “o anticristo”. Não entendo os fatos, mas entender já não importa muito. O celular não toca. Durmo com raiva. Acordo tarde, as costas doendo. O corpo inchado – a menstruação era pra ontem e ainda nada. Agora, dois trabalhos. E roupa para lavar, e quarto para limpar. O dinheiro acabou ontem, a segunda via do cartão bancário não chegou ainda. Acho que o curso de encadernação ficará para a próxima. Acho que minha vida ficará para a próxima. Sempre adiando. Hoje tem Doors e eu não vou. Eu poderia ficar do lado de fora, apenas ouvindo, de graça. Mas não terei como retornar depois, a pé não rola não. Estou cansada e doída e preciso escrever. Não o verei neste final de semana: sou birrenta, sou mesmo.
Quero mais é ir ler num parquinho, no balanço, à noite. E pernoitar lá, se o frio assim permitir.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 10, 2009

Multidão


Um roubo ensina muita coisa.
Ensina que o princípio da burocracia é verdadeiro: em essência, todas as pessoas são má intencionadas. Além disso, mostra que algumas pessoas seriam capazes de sacrificar coisas importantes pelo seu bem estar.

Não sei o que é pior:
andar pelas ruas preocupadamente, esperando por um ataque surpresa conferido por um maníaco qualquer

ou esquecer que pessoas matam e morrem todos os dias e, vez por outra, nem se dar conta de que sua carteira e sua mochila desaperecem como que por mágica.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


August 3, 2009

Em suma


Sonhar nunca foi uma coisa normal na minha vida. Sonho apenas quando não durmo um sono de pedra e sempre acordo incrivelmente cansada quando isso acontece. Não sei se pela qualidade do sono ou se pelo sonho em si.
Daí eu comecei a ler Sandman e, apesar de adorar o Sonho e o Sonhar, minha relação real com esses eventos continua uma droga.
Hoje é dois de agosto. Dormi um sono leve e sonhei. Sonhei coisas desconexas, e no meio delas meu avô aparecia e sorria. Dizia coisas também, mas não lembro exatamente o que era. Talvez estivesse orgulhoso de mim. Provavelmente eram essas as palavras: - estou muito, muito orgulhoso de ti. Acordei um pouco exaltada, porque outra parte do sonho envolvia escadas e altura – e, céus, eu detesto altura.
Daí – boom – lembrei que era dois de agosto. E, apesar do ceticismo, entendi a conexão das coisas.
O avô do sonho faleceu há sete anos. Três anos antes, no mesmo dois de agosto, havia morrido um tio. Foi meu primeiro contato com ela – a Morte. Não entendi seu significado logo de cara. Fui descobrir sua essência bem mais tarde, quando íamos à casa da minha tia e alguém fazia falta à mesa. Quando esse alguém não podia mais mostrar a unha grande do mindinho e dizer que aquilo dava sorte. Quando eu me imaginei no lugar da minha prima e a idéia de crescer sem um pai me deixou bastante triste. Ele faleceu sem aviso prévio. Um dia normal de trabalho, um derrame, uma viúva e uma órfã. Meu avô arrastava a doença havia tempo, e sua morte acabou sendo vista como um conforto - ele não sofreria mais.

Mas chega de falar nisso.  

————————

Amanhã recomeçam as aulas e minha náusea não poderia ser maior. Mas já cansei de fazer drama e logo logo o inferno acaba.

————————

Acabei de comer uma pizza fabulosa ignorando o mal que leite e derivados têm me causado. Pois bem: meu estômago está doendo e nunca saiu tanto gás pela minha boca e meu reto. Acho que foi a deixa para eu parar de brincar de ser vegan e eliminar de vez os derivados de animais da minha alimentação. Exceto mel – porque eu adoro mel e não simpatizo com abelhas. Bem feito pra elas.

————————

I don’t belong to no one,
But I want to be with you.

Mês feliz feliz feliz. Obrigada, Bombom.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


June 28, 2009

retrospectiva


Esse foi um semestre diferente porque FINALMENTE entendi que:
- Pensar não importa;
- A adolescência é um período perigoso da vida humana. A Universidade foi o meio que encontraram para fechar as fendas de interrogações deixadas por ela;
- Pessoas não podem ser filtradas. Haverá gente imbecil em todo e qualquer ambiente, quer eu goste, quer não;
- O acaso é um andarilho muito sábio que deveria virar nômade;
- Intelectuais são insuportáveis;
- Intelectuais são REALMENTE insuportáveis;
- Vodca e vinho têm efeitos similares antes de apresentações orais. A diferença é que a vodca não faz sua cara explodir;
- Escrever é uma coisa bem legal quando se tem quinze anos;
- Welcome to the machine deveria substituir we are the champions em cerimônias de formatura;
- É possível desaprender em um mês o que se custou a aprender em dois anos (ou solidariedade é meu toba (substantivo masculino?) com um lacinho);
- Mudar hábitos alimentares é um exercício ímpar de auto-conhecimento (junto? separado?);
- Livros infantis deveriam ser menos adultos.

Receita de se olhar no espelho

se olhe de frente
de lado
de costas
de cabeça para baixo
pinte o espelho
de azul dourado vermelho
faça caretas ria sorria
feche os olhos abra os olhos
e se veja sempre surpresa

quem é você?

[Receitas de olhar, de Roseana Murray]

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


June 21, 2009

angulo obtuso


Me ocorreu hoje que: se determinadas coisas precisam ser vistas de determinada perspectiva para parecerem boas, então, em essência, essas coisas não podem ser tão legais quanto querem que acreditemos.

A vida, por exemplo.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


June 6, 2009

experimentar


Algumas palavras saturam. “Experiência”, por exemplo. É nela que tudo finda. É nela que todos acreditam. Se a situação foi frustrante, é a experiência que conta. Se não foi, é uma experiência para ser guardada na caixinha cor-de-rosa de experiências do nosso coraçãozinho dourado. Mas pior do que tudo, é a redução que fizeram da coitada. Sim, porque experiência (não na acepção científica, evidentemente) é tudo e qualquer coisa que não fazemos cotidianamente. Viajar, a priori. Eu sei que é interessante, é divertido, faz a gente conhecer pessoas e culturas diferentes e etc. etc., mas não é algo que tem o poder de modificar algo no meu âmago. O impacto de uma viagem é passageiro, o impacto de uma experiência, não.
É por isso que eu evito algumas coisas e busco outras. Algumas experiências podem ser adiadas – a de usar drogas, por exemplo. É bom recorrer a determinadas coisas quando não se precisa delas. Com a ansiedade e o vício não se brinca (foi a experiência que me ensinou). Por outro lado, a experiência de ir dormir após o término de outra história de Hellblazer tem mudado tudo. Eu fico pensando e pensando e me comparando ao Constantine. No dia seguinte eu acordo leve – e com razão.
O problema é que as pessoas não entendem que privar-se é uma experiência. Permitir-se também. E tentar equilibrar as duas coisas, idem.
Eu não acho que conhecer a Biblioteca Nacional vá fazer eu amar ou odiar minha profissão. Mas eu sei que prestar um serviço no lugar em que eu nasci fará toda a diferença EM mim. É uma questão de escolhas e de perspectivas. Hoje eu digo com segurança que eu sei o que me faz bem, apesar das minhas ações nem sempre coincidirem com isso. Mas eu tento.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


June 5, 2009

Livro sobre nada - Manoel de Barros


Não é por me gavar
mas eu não tenho esplendor
Sou referente pra ferrugem
mais do que referente pra fulgor.
Trabalho arduamente pra fazer o que é desnecessário.
O que presta não tem confirmação,
o que não presta, tem.
Não serei mais um pobre diabo que sofre de nobrezas.
Só as coisas rasteiras me celestam.
Eu tenho cacoete pra vadio.
As violetas me imensam.

Mais alguém para rechear os agradecimentos do meu TCC. John Constantine não estará só. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 29, 2009

Suicida


Eu fico ligeiramente mais suicida nos três dias que antecedem a menstruação. Agora, por exemplo: milho, ervilha, batata palha, queijo minas, maionese, granola e leite condensado. Numa refeição só.
Vai um pouquinho?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 20, 2009

self-bricolagem


Acordei, olhei no espelho e pensei: DO IT YOURSELF.
Peguei a tesoura escolar e voltei no tempo - uma época da infância – em que fazer buracos no cabelo era, assim, um jeito bem diferente de burlar o sistema.

Daí isso:

 

Deve estar torto, mas é assim que eu sou e quero aparentar ser: torta. Cabeleireiros e seus preços absurdos pra que?
Pra que.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 19, 2009

sixteen, clumsy and shy


Nhá,
É esta inquietação que insiste em não findar.
Que se aproxima imperceptível, exclama um "Oi!" sarcástico

[e vejo agora as dobrinhas no canto de sua boca],

Senta-se no sofá e ordena autoritário que lhe tragam um café quente, forte e sem reticências.

E ali permanece.
Quisera eu que o café não fosse fugaz, que as borboletas corpulentas não se esgueirassem para longe, como o fazem também as sombras…

Ele então pisa forte, lembra-me de sua existência (ou da minha própria?) e ameaçador pragueja:

- Ou tu faz,
             Ou te encho de interrogações!

Raios.
Neste instante vejo-me aqui, ao seu lado.
Ele me olha com o rabo do olho, arqueia-se sobre a página, bisbilhota o que pretende a grafite que se fixa ao papel (ou é o papel que risca a grafite?).

Nhu…
As cobertas dão seu ultimate.
Amanhã, quem sabe.

 

E Este:

 

Fui ao encontro da janela e lancei a rosa ao além. Eu que não admitia o eterno. Não reconhecia o horizonte. Ah, tolice. O que são oito anos?
Desfiz-me de outras coisas, também. Valor sentimental é utopia.
Recomeçar. Haverá palavra mais irônica?

Outros dias virão. Outras pessoas. Outros poemas.
E a cada novo encontro eu sorrirei internamente: já acabou.

Em que outdoor se encontrará a alma que a mim jamais foi concedida?
Em que rua estarão as pegadas do caminho que jamais percorri?

Por hora, dêem-me cobertas.
O sol já começa a traspassar a janela e, grosseiro, alastrar-se pelo cubículo…

————————————————————————

16 anos. Eu sabia como aproveitar o tempo naquela época. Como sabia. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 16, 2009

já era hora


Eu gosto do frio porque os abraços sempre ficam mais quentes e a distância sempre fica menor.
Ai, os pretextos.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 15, 2009

senão por uma diferença na alma


Vem e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beija
Senão por uma diferença na alma.
[Fernando Pessoa]


A vontade de ler está gradativamente voltando, e é bom que seja assim: literatura não combina com Universidade e menos ainda com final de semestre (ai, olha a consciência do cocô voltando).
Dois: versos só me atingem em épocas de sensibildade emocional. Ou seja.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 9, 2009

Dieta só é apenas dieta. Dieta junto é…ah, esquece


A única meta que eu fixei para esse ano foi a seguinte: dar um up na minha qualidade de vida. Comecei mudando de residência - quarto só meu agora. Pedi um laptop para meu pai e, apesar do sovinice, acabei ganhando. Parei de estudar dia-noite-noite-dia e voltei dar importância às minhas necessidades intelectuais (que nunca são aquelas do pacotão oferecido pela Universidade). Também passei a sair mais, a conversar mais, a me permitir mais.
A mudança mais drástica, contudo, foi alimentar. Nas férias de janeiro encontrei o cardápio que uma nutricionista elaborou quando eu tinha 14 anos. Relembrei as consultas com a profissional e a desculpa que utilizei para justificar minha pouca persistência - é difícil abrir a geladeira todos os dias e refutar os doces que estão à mão. Mais difícil ainda olhar para a comida da mamãe e do papai e não poder ingerir metade (um amido de cada vez, frituras não, molhos nem pensar, etc. etc.). Percebi então que tenho hoje a qualidade essencial que me faltava na época - amadurecimento. E decidi, ainda em casa (nas férias), mudar devagarinho alguns hábitos.
Agora os resultados: tenho 1,54 de altura. Em janeiro, eu estava com quase 72 kg. Hoje, peso 61 kg. Eliminei 10 kg e a intenção é perder mais 7 kg. Difícil? Óbvio. Mas absolutamente suportável. Principalmente se você atentar para as pequenas mudanças que uma alimentação melhor acarreta: sono sem interrupções, TPM praticamente inexistente, cólicas menstruais nulas, evacuação facilitada, ansiedade reduzida, tranqüilidade, melhor concentração, cabelo mais tchan, pele idem. O bem-estar é geral, inclusive de consciência.
Então, Karol, leve isso em consideração. Encare o bem estético como um bônus, e não como a razão da mudança. Os alimentos que você vai evitar POR ALGUM TEMPO são já tão conhecidos seus…Tente coisas novas, coisas diferentes [que são saborosas também]. Depois de habituada, você olhará para uma coca-cola como algo que agride seu organismo.
E conte comigo pro que for necessário - é mais difícil embarcar sozinha nesse tipo de situação. O meio social é o principal obstáculo do gordinho.
Para os demais, mesmo os magros, fica a dica: um chocolate é infinitamente mais gostoso quando comido esporadicamente e em pequenas quantidades.

Up: Ignorem a reportagem da Super Interessante que trata do assunto. Fazia tempo que eu não via tanto clichê aglomerado num espaço só. Sem contar no tom desestimulante da coisa: emagrecer é para poucos, não sei quantos 500% voltam a engordar depois de não sei quanto tempo e NENHUMA dieta serve pra ti. E o tipo de alimento não importa - calorias importam. Coma apenas brigadeiro todos os dias e seja feliz.
(Indexação semestre que vem e já sou fera na coisa. JESUS que me aguarde.)

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 7, 2009

Morte


 

Este arcano revela que você está ávido (a) por soluções imediatas, tentando recuperar o tempo perdido ou descobrindo algo que julga importante… Calma, você está em processo de mutação e ainda nada é definitivo, tudo tende à modificação dos planos que serão efetuados por você mesmo!! Suas idéias irão mudar muito brevemente, sabia? A resposta do tarô não é afirmativa, porque surgirão outros caminhos e propostas muito mais vantajosas; o futuro será próspero e feliz, mas por outro caminho… Pense nisso! Este arcano sugere que você romperá valores antigos e/ou intensas ilusões, revela o final de um ciclo angustiante, uma revolução de hábitos e um futuro totalmente diferente. Contudo, toda essa dinâmica da recuperação prática da vida é regida pelo sofrimento e a perda da esperança no futuro, alcançando os mais altos graus de ceticismo e aridez romântica. Que tal acreditar na vida? Ela é bela!… Podemos extrair uma reflexão para você: "A dor faz parte da vida, o sofrimento é opção de cada um".(daqui: http://www.terra.com.br/planetanaweb/produtos/novo_taro/index.htm).

O sofrimento de quem se sabe impotente diante do todo-que-nos-afoga e e a perda da esperança em algo que não passa do presente que deu certo. Mas não ficarei mais cética ou mais fria - meus quinze anos já passaram.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 3, 2009

quem sonha só blá blá


Daí eu sonhei que fui para a aula e ESQUECI que tinha prova. Minha professora me xingou (porque era prova de CDU e eu não tinha levado as tabelas) e meus pais apareceram para buscar o material que eu havia esquecido. Vamos lá:

Universidade: sonhar com universidade é um aviso para se aprimorar nos estudos.

Família: revela sempre preocupações de ordem familiar, você deve se dedicar mais aos seus, pare de sonhar com coisas inatingíveis, estruture mais seu orçamento.

Professor: de modo geral indica atividades intelectuais intensas nos próximos dias, você terá grandes chances de ascensão profissional através do conhecimento de pessoas influentes.

Sim, de fato eu deveria estudar mais. Estou esperando as férias para conseguir fazer isso. Sim, eu preciso voltar a controlar meu orçamento – tornei-me uma consumista compulsiva da noite pro dia. E se por “atividades intelectuais intensas” entender-se “provas e trabalhos intermináveis de fim de semestre”, de fato, os próximos dias serão preenchidos com isso mesmo. Os próximos dias incluindo este. Tchau.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 2, 2009

trauma de infância transformado em gosto [nem tão assim] pessoal?


Fiquei com inveja das bolinhas delas (ela e ela) e resolvi mostrar as minhas também.
Fim.


Camiseta (jura?)


Bolsa made in china.


Calcinha guti guti.


Coador de café. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 1, 2009

Constatação Dois


Feriados não se deixam ser desvirtuados.
[nem quero pensar no que vai ser de mim se o tio sábado não for mais produtivo]
[socorro]

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Constatação


A chuva vale mais a pena quando se deixa ser vista por meio da auréola de luz que cobre a lâmpada de um poste de uma rua estreita e escura.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 30, 2009

Não é de chocolate, mas


Daí eu fiquei com saudade de casa e pedi pra tirarem fotos dela e me enviarem. O problema foi que, ao invés de saciar toda a vontade de estar sob aquele céu e inserida naquela atmosfera, tudo o consegui foi sentir mais falta do lugar em que criei os demônios que hoje brincam de ovo-choco comigo.
Saudade daquele degrau que me acolhia quando eu chegava da aula, à noite. Daquele cheiro de mato úmido que batia na minha cara logo que eu abria a porta de manhã cedinho. Daquela grama que podia ser pisada. Daquela janela que eu deixava aberta só pra poder deitar na cama e olhar para cima e ver os galhos sem folhas contrastarem com o céu azul. Do meu quarto frio com a minha cama grande e minha mesa querida e meu mapa gigante e meu guarda-roupa infinito.
O bom é que eu sempre volto ao presente antes das lágrimas. Um ponto pra mim.


aham, nós tínhamos TV


O que eu via do meu quarto antes. 

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 24, 2009

McTexto


No começo eu me sentia inferior. Eu era a “não-sei-o-que-é-isso”, a “nunca-fui”, “nunca-comi”, “nunca-tomei”. Mas logo – muito logo – eu notei que minha sensação de inferioridade sempre vinha acompanhada de pena. Pena deles – porque eu nunca PRECISEI ter/fazer certas coisas. Nunca precisei comer no McDonald’s, ir ao shopping, ao cinema, me embriagar (agora é diferente) ou tomar cinco Coca-colas por dia. Nunca precisei tomar o café da manhã fora de casa, porque papai esquentava o leite, misturava com achocolatado, cortava o pão de milho da mamãe, passava melado e nata nele, fatiava o queijo colonial e me dava uma banana no fim de tudo. E me acordava de leve, aos sussurros, “está na hora, Dani, vem tomar café com o papai”.
O almoço era às vezes da mamãe e às vezes do papai, porque esse negócio de mulher fazer tudo nunca funcionou na minha casa. E a louça era minha, cada um fazia um pouquinho pra ninguém fazer muito. E era aquilo: salada, carne, arroz, feijão, mandioca, batata, molho e suco/batida de alguma fruta de época. Às vezes galinhada, à vezes carreteiro. No sábado, pizza feita em casa. Ou sopa de galinha caipira com pastel, também caseiro. Domingo, churrasco sempre. Com maionese de batata e cuca. E refrigerante.
Nunca precisei usar elevador porque era simples entrar e sair de casa – uma fechadura apenas. Aqui são três: condomínio, prédio e apartamento. Tempo e privacidade perdidos. Também nunca precisei pegar ônibus (com exceção de alguns anos da infância, mas a distância era ridícula, quatro quilômetros apenas). Aqui, perco duas horas do meu dia dentro de um.
Cinema eu nunca tive, mas era tão legal convidar umas três pessoas, alugar um filme e ver em casa, comendo pipoca com melado e tomando tererê. E depois sentar no degrau da calçada e falar besteirinhas.
Eu tenho os pés feios porque subia em tudo, corria por tudo, rolava em qualquer lugar e gostava de sentir a grama e a terra e as pedras embaixo dos meus pés. Diferente daqui, onde as crianças ACHAM que é vida brincar no shopping.

[Pausa para um copo de água.]

Pensei nisso tudo enquanto assistia “super size me”, documentário que todos conhecem. Estava procurando não-lembro-qual filme e encontrei o dito cujo. Há não muito tempo também assisti “nação fast-food”, tão triste quanto o primeiro. A comida é só umas das coisas que são piores na “cidade grande”. E é até aceitável: são muitas as horas passadas fora de casa. A preguiça [de preparar um sanduíche natural e levar para o trabalho] associada à quantidade assustadora de barraquinhas de cachorro-quente-salgados-fritos-sorvetes-pipocas-pastéis-doritos-biscoito-whatever realmente despertam a gula, maldita gula. Os grandes centros vivem do marketing. Tão cool morar neles. Tem tudo e as coisas chegam mais rápido. Mas o ar é sujo, a água idem, nunca o silêncio gostoso, sempre o barulho irritante, sempre a angústia de chegar. E a comida horrorosa. WHAT THE HELL AM I DOING HERE?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 23, 2009

adultos são sinceros quando se dirigem a crianças


Leitura e Literatura Infanto-Juvenil, a disciplina mais legal deste semestre (enquanto temática, não enquanto “condução”). Daí fui fuçar nessa categoria de livros na biblioteca em que trabalho. Primeiro a nostalgia, sempre ela, diante de alguns livros da coleção vaga-lume. Depois a vontade de ler tudo de novo e de novo. Duas semanas assim: namorando aquelas prateleiras baixas. Ontem decidi: Saramago pode esperar, porque vontades existem para serem saciadas. Diante da dúvida, comecei com algo que me fez voltar à quarta série: as fábulas de Esopo. Lembro de uma sobre gatos e ratos, em que os ratos, para saberem da aproximação do gato, têm a idéia de colocar-lhe um sino no pescoço. Desconheço o desfecho, mas logo o relembrarei.
O que mais me atrai nos livros dedicados aos pequenos é o conteúdo denso não acobertado pelo suposto intelectualismo adulto. Né? 

Up: olha só o que eu encontrei.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 21, 2009

mifu


Perdi quando comecei a subestimar meu adversário. Palmas pra mim.
[Agora a parte difícil: canalizar DE NOVO a vontade de vencer (que de repente deixou de fazer sentido e, bem, shit)]

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 17, 2009

WEEEEEEEEEEEEEEEE


CHEGOU CHEGOU CHEGOU. O livro dado e autografado por ele. Detalhes e apreciação crítica (cóf cóf) assim que eu terminar de lê-lo. Dia feliz, dia feliz.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 16, 2009

sem-troco


de-repente-o-SER-caiu-quebrou-espalhou-se-pela-casa-machucou-os-pés-dos-passantes-passairos-que-por-ali-passavam-naquele-instante-e-para-sempre.ninguém-viu-ou-sentiu-ou-notou-os-cacos-de-medo-angústia-insegurança-determinação-confusão-enfiados-na-sola-do-pé-(-dos-seus-pés-)-[-sempre-tão-dura-áspera-ondulada-quanto-a-vida-].e-agora-o-SER-é-plural-e-todos-pagam.todos-pagam.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 14, 2009

inferno astral pega


Hoje eu estou uma berinjela: roxa, inchada e com um cabinho saindo da cabeça. Passa, dia, passa [a uva não, que eu gosto dela in natura mesmo].

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 8, 2009

Sim, de novo isso


Daí a menstruação atrasa e, embora o desespero, você pára para pensar seriamente no que faria se estivesse grávida. A internet está cheia de relatos e lugares-comuns: - mimimi, abortei e agora minha consciência pesa, não faça o mesmo, não faça. Outros são mais plausíveis: - tive uma hemorragia, fui internada e meu útero foi retirado para que minha vida pudesse ser salva.
Pensei: eu abortaria sem problemas. Não é a razão que faz do homem, homem? Um punhadinho de células são pessoas em potencial, mas não são gente ainda. O problema é a segurança – a minha, claro. Pessoas já morreram utilizando aquele comprimido cujo nome todos conhecem. Outras tiveram filhos mal-formados. Outras ficaram com seqüelas irreparáveis. Não quero isso para mim, muito embora eu também não queira o filho. Não agora.
Daí lembrei do woman on waves, uma ong que realiza abortos em países em que a prática é proibida. Fuçando no site, encontrei a Rede Feminista de Saúde, uma organização brasileira que não realiza abortos, mas faz campanhas e fornece assistência informacional a quem deseja abortar.
Quando o governo acordará para a realidade? É como as drogas: quem quer, usa. O desespero leva milhares de mulheres à morte todos os anos. E ninguém faz nada. Isso sem contar as questões pragmáticas: é triste ter consciência de que nem no meu corpo eu posso mandar. Se existem métodos contraceptivos que não são 100% eficientes, o que nos resta?
Mulher sofre, como sofre.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 6, 2009

um sinal, apenas um


Dear God
Faça o favor de repintar as paredes do domingo. Eu sou mais laranja, mas quem manda é você e, bem, fazer o que. A questão é que domingo não pode continuar desse jeito – mofado, caindo, com titica de barata num canto e traças em outro. Sim, é um pedido
                         [olha minha cara de humilde].

No aguardo.

[Sem atenciosamentes, porque esse papel já tem ator]   

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 28, 2009

today is gonna be the day


A essência do sábado está no banho. Mais tempo, mais espuma, mais lâminas. Eu sento e deixo a água lavar o medo. E fico. Até enrugar e sentir que a vida passa como a água que corta o meu corpo e o deixa tragável (para mim e para os outros). Sábado sempre foi o dia do asseio. Da casa, do corpo, da mente. O quarto organizado fica menos acolhedor, é verdade, mas eu gosto da estética rude das coisas em ordem. Gosto também da música que golpeia o cosmos desse ambiente. É por isso que ouço Eths nos sábados e Belle and Sebastian nas sextas.
Sábado também é dia de transgressão sem culpa. Self control nulo. A vontadea mesma de Schopenhauer – é satisfeita em todas as suas extensões. Eu mataria se ela assim ordenasse. Ser presa é uma experiência que, aliás, eu desejo agregar ao meu tesauro interno (expressão ridícula dita por uma professora ridícula).
Sábado só não deveria ser dia de cólica. Shit.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 25, 2009

para fins de registro


Essa foi a melhor tarde da minha vida ever. Sem ponto.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 23, 2009

hoje não


Acordar. Rosto. Privada. Intestinos limpos. Descongelar uma fatia de pão. Esquentar o leite. Uma colher de café. Quatorze gotas de adoçante. Canela. Cheiro de começo de dia. Banana. Ramones. Quarto. Pão no leite. Como quando eu tinha cinco anos. Louça. Banheiro de novo. Creme dental. Enxaguante bucal. Boca ardida. Maldito álcool. Banho. Lâmina de barbear. Sangue. Sempre o sangue. Toalha. Quarto. Cortinas fechadas. Disco music. Jeans. Blusa não decotada. Dançar. Sem medo de ser feliz. Meias. Via Mundi vermelho. Sempre vermelho. No melhor e no pior da gente. Mochila. Hoje, pesada. CDU. Chaves. Duas portas. Gata. Cafuné seguido de miado. Morro. Descida. Silêncio. Sinal fechado. Sinal aberto. Universidade. Tédio pré-aula. Cabeça vazia. Pela manhã somos mais suscetíveis às barbaridades “ensinadas” pelos mestres e doutores da razão. Intervalo. Amigo da telefonia. A loka. Aula de novo. Impaciência. Fome. Volta. Mercado. Dedicamos um terço da nossa vida à produção e um sexto ao consumo. Casa. Chaves. Almoço requentado. Batida de alface. Três amêndoas. Cinco morangos. Louça. Banheiro. Creme dental. Quarto. Agenda. Ler 122427734 textos desinteressantes. Abacaxi e iogurte. Banho. Roupa. AC/DC. Suor. Um pouco. Bolsa. Bolinhas. Trauma de infância transformado em gosto pessoal? Ônibus. Livro. Com sexo e violência. Trabalho. Cumprimentos. Atendimento ao público. Reinserção de livros na estante. Auxílio na utilização dos computadores. Como envio para outra pessoa um e-mail que recebi? Pouco movimento. Conversar com a colega. Querida ela. Sábia também. Nove horas. Despedida. Ônibus. Mp3. Kings of Leon. Outro ônibus. Morro. Casa. Chaves. Gata. Sopa. Com croutons. Creme dental. Despertador. Sono. Luz apagada. Pensamentos estúpidos. Loop.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 22, 2009

abrir escolas no firmamento


Sabe o engraçado? Você fica um tempo sem transar e sente vontade. Sai de casa algumas vezes, vai a algumas festas e nada acontece. Até parece que você vestiu a capa da invisibilidade do Pottah. Daí aparece uma pessoinha, você se esbalda, e, sésamo, o mundo inteiro parece querer te comer.
Minha teoria é a de que a força suprema não aprendeu a dividir com milhos e feijões. Não é possível não saber distribuir as coisas de modo coerente.
A outra teoria é a de que a força suprema queira que acreditemos que tudo é uma questão de escolha. Sim, poderíamos ter um pouco de tudo sempre, mas é melhor não termos nada e depois precisarmos escolher entre todas as possibilidades que não existiam antes.
Situações assim me deixam profundamente irritada. Vou ali ouvir rage against the machine pra ver se passa.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 21, 2009

bu


Porque eu adoro terror trash nas tardes de sábado.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 19, 2009

“capital intelectual”


Eu adoro ler/fazer coisas inúteis quando deveria estar "investindo em meu capital intelectual para me tornar mais empregável". Agora, por exemplo:

Adoro a minha vida. Mesmo. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 15, 2009

i won


Todo beijo é uma vitória sobre a repulsa. [Larry Durrell apud Robert Irwin em Jogos surrealistas]
Convenhamos: às vezes, a repulsa é uma adversária bem fraca.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 12, 2009

Não sou menina


- As meninas costumam me agarrar quando me vêem. Qual seu problema?
- Beleza é para ser admirada. E é difícil conversar com a admiração. Além disso, não sou menina.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 11, 2009

do futuro que tropica no passado


Então eu olho velhas fotografias e é só comigo que você está sorrindo.
Eu fui embora. Como a gata que cansa de olhar para o filhote morto. Ela não entende, mas sabe que dali pra frente a responsabilidade não mais é sua. Em pensar que eu era tão criança e tão cheia daquilo. Nunca mais senti tanto. Nunca mais. Eu fui embora e fiquei lá, porque você continua lá. Continua vivendo do mesmo jeito, com a mesma pessoa. – Por que terminar? – você perguntou – e eu morri de vergonha e ódio. Eu não estou mais, foi você que lembrou, e logo depois fez planos. Sempre fizemos planos. Mesmo com ela enfiada em nosso cotidiano. Mas os planos esbarraram em papéis pintados. E eu fiz o papel da vilã.
Mudamos as diretrizes, mas não estou muito certa. Acho que você quer outra coisa pra sua vida. Ela já te sufoca tanto, pra que mais uma? E agora somos adultos e sexo é sempre uma possibilidade. Contamos as mesma piadas, mas às vezes paramos de rir. A malícia inoperante não é engraçada. Você ficou um pouco mais sério e menos magro. Eu gosto de óculos e gordura. Mesmo.
Continuo olhando para as fotografias. Eu também estou sorrindo. Mas eu sorrio sempre, então não faz muita diferença. Lamento pelas coisas que você disse que te ensinei. Mas não lamento muito. Se paramos de nos importar, é porque já sabemos o que vai ser. Eu gosto de brincar de acreditar no futuro. De crer que em 2011 tornaremos a morar dentro das mesmas delimitações geográficas. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 8, 2009

chove chove chove


Algumas considerações sobre o livro ‘hoje está um dia morto’, de André de Leones. Gostei. Meio tediante no começo, mas o que não é?
O retrato de parte da juventude brasileira. Dessa juventude que nunca me aceitou. Não sei se a educação cristã influenciou nisso (apesar do ceticismo). Eu não consigo não esperar por nada. Não consigo consumir nada pra esquecer (salvo comida, mais precisamente chocolate e bolo e brigadeiro e etc.). Tentei manter uma rotina de bebedeira ano passado, mas não funcionou. Ficar torpe por alguns minutos só faz o acordar ser mais doloroso. Eu já quis me matar. Comecei a gostar de química quando soube que o jardim da minha casa podia ser letal. Mas na hora de beber, eu pensei na morte como o tipo de experiência que pode ser adiada. Minha vida não gira em torno do sexo, apesar do instinto que a antropologia nega. Eu sou deslocada, sou mesmo, e não preciso de artifícios pra amenizar a coisa. Nem de artifícios nem de atenção (porque tem aqueles que surtam se não forem notados).
A parte intrigante do livro, que não corresponde à realidade brasileira, é o nível cultural dos dois, ou pelo menos de Jean. Sempre fico frustrada quando leio coisas que ignoram a auto-destruição provocada pela leitura. Querendo ou não, ela (a leitura) traz consigo um certo amargor e desesperança. Às vezes me pergunto se não é o contrário – se não é a desesperança que vem primeiro. E talvez seja isso mesmo, mas a leitura sempre acentua essa coisa ruim que sentimos. Tão ruim que às vezes acaba com uma bala alojada em alguma parte vital do organismo.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 7, 2009

interna


Hoje eu lembrei do anão com o machado e tive vontade de dizer a ele tudo o que aqueles dias (e noites) significaram pra mim. Não foi só o afeto gratuito e olhar pra fora da rotina. Foi também o entendimento de um estado mental que ainda não é o meu, mas provavelmente será. E não estou falando de capacidades cognitivas (apesar da inteligência assombrosa da pessoa). Eu tive pena no fim. E não foi dele, foi de mim. Por que eu não faço parte do grupo em que eu pensei estar inserida. Nunca fiz. E a culpa não é minha, é do contexto. Mas, de qualquer forma, eu prefiro ser uma nerd fail a uma bibliotecária de sucesso.

Em suma: adoro-te, Yusa. Apesar de.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 5, 2009

gepeto


As coisas começam a dar certo quando paramos de inventar necessidades. E essa invenção se dá, sobretudo, por meio da "consciência da perda". Insistimos em lembrar do que estamos impossibilitados de ter e fazer no momento.
"Seria mais aprazível ingerir uma torta de morangos em vez dessa alface sem gosto".
O principal inconveniente das necessidades forjadas é seu caráter momentâneo. Uma torta de morangos satisfaz um desejo impulsivo, e apenas isso. Não é uma ação agregada a outras capazes de concretizar A grande ambição. E minha grande ambição hoje é cursar engenharia mecânica. Cansei da relatividade das coisas. Cansei mesmo.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 1, 2009

internerds and me


Hoje estive pensando em como a minha relação a internet se modificou. Ganhei uma conexão de presente no dia 27 de novembro de 2005. Eu tinha então 15 anos, e faria 16 no dia 2 de dezembro. Lembro que eu não sabia ao certo o que fazer. Comecei criando uma conta no msn e visitando as salas de bate-papo da UOL. Instalei o kazaa, programa que todos utilizavam, e comecei a baixar as músicas que todos ouviam. Devo ter feito só isso durante um mês. Depois, por influência de uma amiga, criei um blog. Esqueci o nome do primeiro. O segundo começou como ‘divagações de uma mente ébria’ e terminou como ‘divagações ébrias’. Os designs ultra-toscos do blogger me ensinaram que os sites são construídos com códigos e um desses se chama HTML. Aprendi porcamente e passei noites de sábado manipulando templates. Pouco depois da metade do ano de 2006, entrei num fórum nerd. Aprendi demais com ele, de curiosidades idiotas à coisas que me seriam extremamente úteis tempos depois. Terminei o ano assim: viciada num fórum e fazendo downloads de bandas underground. Daí passei no vestibular e saí de casa. Em 2007 e 2008 só tive acesso à internet nos computadores da universidade. Como o tempo era pouco, parei de utilizar fórum. Além das pesquisas para os trabalhos acadêmicos, tudo o que eu fazia era ler o cianeto e felicidade e o wulffmorgenthaler, além de usar a versão demo do stumbleupon entre um parágrafo e outro do trabalho que eu estava escrevendo. Hoje, tenho computador e internet em casa de novo. Não tenho orkut, não uso msn, não uso programas para downloads de músicas. Utilizo muito o skype para conversar com meus pais, e o google talk, para saber quando recebo um e-mail novo. Não uso o fórum por não sentir mais necessidade. Faço downloads de filmes e seriados, raramente de músicas. Ainda mantenho um blog, para ter uma razão para escrever quando o word não satisfaz. O site que mais visito é o “como tudo funciona”, descoberta bem recente.
Internet em casa num computador portátil foi a melhor coisa que me aconteceu esse ano. A segunda melhor foi the big bang theory (terminei toda a segunda temporada ontem). A terceira foi AC/DC. A quarta, cold case. A quinta, bem, a quinta eu ainda não sei. Espero que aconteça no sábado. Hum-dinger!

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


February 26, 2009

The big bang theory


[…] deixe que eu lhes diga que a minha pesquisa vai continuar, ininterrupta, e que relacionamentos sociais vão continuar a me confundir e a me causar repulsa.
Eu sou mais ou menos como o Sheldon. Com 70 pontos de Q.I. a menos, claro. E sem aquela capacidade de falar de modo rápido e lógico. E olhem o que eu achei: http://www.sheldonshirts.com/. Quero essa, apesar de não ser do Sheldon:

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


February 25, 2009

né?


Daí eu estou fazendo alguma coisa qualquer e me surpreendo questionando meus sentidos.Como se a percepção da vida não se desse nesse nível de existência, e sim em outro. Uma espécie de black-out sensorial: o tato não tateia tanto assim, os olhos duvidam demais do que vêem, os ouvidos fingem que não ouvem. Depois tudo volta e eu lembro do curso de filosofia que eu podia estar fazendo na PUCRS. Como é difícil admitir que escolhas erradas acontecem. 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


February 24, 2009

Relacionamentos [de novo]


Estive assistindo coisas sobre relacionamentos e cheguei às seguintes conclusões:
- eles custam dinheiro. Não se envolva se não puder pagar;
- eles demandam tempo. Não se envolva se os únicos momentos disponíveis são aqueles que você utiliza para encontrar-se consigo mesmo;
- eles requerem mudança de mentalidade. Não se envolva se não puder pensar no outro quando estiver com ele;
- eles exigem concentração. Não se envolva se não puder estar mentalmente presente quando isso for necessário (o egocentrismo difere o item anterior deste);
- eles exigem assunto. Não se envolva se você é do tipo que mantém idéias fixas ou gostos extremamente extravagantes.
E, por fim,
- eles demandam sentimentalismo. JAMAIS se envolva se sua personalidade for essencialmente rude.

*Higiene, livros e objetos cor-de-rosa foram omitidos da lista por questões de incontestabilidade.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Cold Case


Cold Case é o tipo de seriado que expõe as fragilidades humanas. Em cada episódio, há algum fato que cutuca nosso íntimo, que mexe com nossos transtornos. O ponto forte da série é a exploração de perfis psicológicos: religiosos fanáticos, donas de casa, nerds, obesos, etc. A trilha sonora também é impecável: a música certa para a situação certa. Ao término de cada episódio, fico me perguntando: e a mim, qual fim trágico me foi reservado? Porque não teria graça se não fosse trágico. Ainda que a coisa mais trágica já tenha acontecido: minha existência.   

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------