November 30, 2007

É domingo, minha gente


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November 29, 2007

Pode abrir, é a morte


Estava eu, nem tão serelepe nem tão saltitante, lendo Ossos ontem à tarde. É um livro regular – a idéia é legal, mas as duas histórias que o compõe não são lá aquilo. Dois autores recebem um gentil convite para escrever um texto relacionado a um conjunto de imagens. A temática de todas elas: esqueletos. Sobre o que os dois escreveram? Hein? Hein? Morte. Muito original (não que eu acredite em originalidade, mas, err, rê). Aí me pus a pensar a respeito – nos devaneios suicidas que rondavam minha mente de 13, 14, 15, 16 anos, nas especulações sobre a maneira mais divertida (sim, ‘divertida’ é mesmo a palavra) de deixar esse mundo infernal, em como aulas de química podem contribuir para as já referidas especulações e, enfim. Pensei em hoje e constatei, sem muito alarme, que as coisas não mudaram muito. Continuo com a idéia fixa de que deixarei esta vida quando eu achar conveniente. A morte, a meu ver, não é esse dramalhão todo que nos impingem. É só o fim, que mal pode haver nisso? Não há nada depois, porque seria crueldade demais submeter o homem a outra sessão de pisoteamento. Ah vá: felicidade eterna é tediante e reencarnação é deprimente.
Então eu chego a casa, à noite, e sou informada de que uma tia veio a óbito. Minha primeira reação foi tiop assim SHIT, mas raciocinando depois, que bom que aconteceu logo, o câncer não mais a fará sofrer (espero). Dói mesmo o fato de estar 700 km longe de casa sem poder acudir aos meus. A constância do sofrimento me angustia: a dor de quem vai parece transplantar-se nos que ficam. Pai, mãe, digam ao padrinho que eu sinto muito.
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November 28, 2007

UAU


De todas as inutilidades que engolimos em tamanho super quase diariamente, não há mais imprestáveis que freqüentar aulas de redação (“redação”, e não “produção textual”). Dificilmente agregam alguma coisa e conseguem ser maçantes SEMPRE. Quando não se discute o fato de tráfego e tráfico serem coisas diferentes, são propostos temas tri-originais para elaboração do texto: meio ambiente, racismo (cotas, cotas…), qual dos livros sugeridos para o vestibular você indicaria e por que, globalização, etc. Aí você se submete, escreve o que todos escreverão (primeiro, porque originalidade não existe; segundo, porque se eu disser que KRA, EU ÇOU ARIANA E KERO QUE OS PRETOS SI FODÃO certamente minha nota terá gostinho de jaca) e recebe a mesma nota baixa de sempre. E sem justificativa. Você não sabe onde errou e conclui que o texto inteiro foi um equívoco. Ninguém se sente um cocô com isso. Não mesmo.
Mas ontem foi diferente. Depois de perdida metade da aula com leitura de redações de vestibular (redações ruins – é preciso rir dos desacertos alheios), o tema proposto foi o seguinte: o que é ser jovem hoje?
Bem. Err. Fiquei pensando primeiro na minha condição. Depois na situação da maioria das pessoas da minha idade. E mais tarde tentei distinguir isso da ‘vida adulta’.
Não consegui concluir nada. Melhor. Conclui o que já havia concluído outras vezes: eu sou diferente. Não ‘diferente’ enquanto ‘singular’, mas ‘diferente’ enquanto ‘coisa que não se adapta’. Grosso modo, um etezinho. Mas não querem saber de mim, querem saber do todo. E o todo usa drogas, fica com uns aqui e ali, ouve o que estiver passando na Jovem Pan, assiste Malhação, pinta as unhas e faz tatuagem. E compra um tênis da Nike para se sentir único no universo. KJLKÇAJÇSKLDFÇJAG. Perdão. E começa a trabalhar cedo para ser independente (ninguém admite que a dependência é uma constante: hoje os pais, amanhã o mercado, depois o marido (eca) e assim por diante).
Folhas brancas conseguem ser convidativas e atemorizantes, né? Não sei, mesmo. Ser jovem é se preocupar em conseguir estabilidade para a vida adulta e ser adulto é se preocupar em escolher alguém para trocar as fraldas da velhice. Acho (não, eu não penso) que são as únicas constantes.
Ficou faltando um sentido pra isso tudo? Pois é assim mesmo. Salvas as vezes em que a consciência não vem.
Vem cá: mais alguém deseja lançar uma granada sobre todas as estações de canais abertos?
*conspira*
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November 27, 2007


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[div id="Dani"] no brain [/div]
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November 26, 2007

A-deus


Eu quis muito ir embora. Passei anos desejando fugir. Acreditava que a minha vida era a, hum, err, “aquilo” por causa daquela cidade. Pensava que o perfil DOENTIO daquela gente estava vinculado àquele espaço, àquela cultura, àqueles pés de bergamota. Mas não pense que a ingenuidade era assim grande – eu sabia que duas coisas poderiam acontecer na “nova aldeia”: ou os fatos mudariam, ou os fatos não mudariam (duh). Óbvio que eu desejava [muito] que a situação melhorasse. Nem tanto por prazer individual, mas por questões de deslocamento de culpa: estaria comprovado que o problema, de fato, era minha cidade natal. Mas aconteceu que

Fui até ao campo com grandes propósitos
Mas lá encontrei só ervas e árvores
E quando havia gente era igual à outra.

Pouca coisa mudou, e, de um modo geral, bons e ruins se anularam. Aqui tem opções de lazer e emprego. Mas o primeiro torna-se monótono com o passar do tempo (e beber é algo que se pode fazer em qualquer lugar…). O segundo te faz escravo: funções medianas que possibilitam a auto-suficiência são verdadeiras máquinas de exploração. Em contrapartida, neste lugar não tem ar limpo nem céus estrelados nem noites escuras. Lembro que, logo ao mudar, sofri horrores até conseguir me habituar ao barulho e à claridade permanentes. No meu outrora quarto, a escuridão era absoluta e eu gostava de ficar olhando para o vazio (ou para o eterno ou para o transcendental, dependendo do poeta). Aqui, se não fecho os olhos, não adormeço.

A grande diferença, contudo, eu esperava encontrar nas pessoas. Imaginava uma mentalidade diferente, inteligente, cultural. Pequenos Da Vincis da atualidade. E eu esperava ver etezinhos alternativos. O que encontrei? Gente igual. CADÊ os clubbers:? Os góticos? Os rappers?

Não pensei que consideraria tão rápido a possibilidade de retornar para casa. Se a realidade continua a mesma, por que ficar aqui? Se o problema sou eu, pra que quebrar a cara de novo?

Vou terminar esse curso e passar uns tempos naquele lugar amaldiçoado. Tem uma biblioteca pública para ser organizada, né? (que dor no coração ao lembrar que não li Crime e castigo porque os volumes estavam na ala de literatura infanto-juvenil).

E eu tinha prometido não fazer mais blogs diarinhos. Tsc.

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November 23, 2007


 
De ônibus, 15 horas. Pff.
Em tempo: AI MEU DEUS, eu vi a Jesus.
 
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November 21, 2007


Existem duas Danis que se engalfinham todos os dias: a primeira é racional, calculista, exata. Contabiliza tudo, premedita todos os eventos do dia. A segunda é aventureira (palavra esquisita, cruzes), espera pelo acaso, não cria expectativas. A primeira detesta imprevistos. A segunda ama, sejam bons ou ruins. O incidente de ontem foi interessante: cinco reais a mais para mim. Que fiz eu para merecer isso, de Almodóvar, não foi entregue ao cinema pela distribuidora, e em lugar desse passaram, gratuitamente, Kika, do mesmo diretor.
Primeiro a trilha: muito igual a Gipsy Kings. Exceto pelo vocal tipo cabaré barato. Agora o enredo: tragicomédia? Coisas vergonhosas/tristes/lamentáveis jogadas comicamente na nossa cara. O gosto pela catástrofe. O amor frívolo. Matar é como cortar as unhas: no começo dá preguiça (…), mas quando menos se espera, já cresceram de novo. Assassinato, traição, estupro, incesto, homossexualismo, fanatismo e a mídia intermediando tudo. E rimos disso. Rimos da desgraça que é a realidade na qual nos inseriram. Rimos alto. Olha a revolta dando bom dia…
(Saberemos que o mundo começou a ser transformado quando as pessoas alterarem seu modo de vestir: BOICOTEM O JEANS! (vulgo VIVA OS HIPPIES!))
Não sei se gostei do filme. Sim, não, que importa? Ouvir (bisbilhotar?) um nerd falar sobre filosofia antes de iniciar a sessão valeu o passe e os dois ônibus. Quem estuda o transcendente tenta compreender até que ponto o homem é capaz de conhecer…
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November 19, 2007

Ó pra você, Reunidas: _|_


- O desconto é até Chapecó.
- Mas meus pais residem em Itapiranga, que palhaçada é essa?
- Eu apenas obedeço ordens.

A frase célebre que deixa puto qualquer cidadão de bem [como eu]: apenas cumpro ordens. Querem que calemos a boca quando sabem que esbravejar faz bem, suaviza a pele e elimina espinhas. E quando pedimos pelo superior, não se encontra, só daqui a uns meses, volte dentro em nunca. Primeiro a burocracia que é para conseguir fazer a porcaria do cartão de estudante, que garante meia passagem da sua cidade de origem à cidade universitária. Slogan, óbvio, a ilusão da economia de R$ 50,00 por passagem durou pouco. Semestre passado o cadastro era semestral e quando eu quis fazer não podia, já tinha esgotado o prazo. Neste semestre, o cadastro estava sendo realizado ainda agora – novembro – estranho, muito estranho. Sorte foi o fato de eu ter levado dinheiro com o intuito de comprar a passagem + um joguinho para meu irmão (Guitar Hero, R$ 160,00, o pirateado). Aí o vendedor [da passagem] esclarece: o desconto é até Chapecó. Antes a passagem era R$ 100,00 daqui a Itapiranga. Agora, R$ 113,00 daqui a Chapecó. Tudo bem, eu disse - a situação acalmada pelo fato de eu não ter visto o preço final ainda.
- Hum, R$ 83,xx.
- QUÊ?
- R$ 83,xx.
Ah, pronto, só faltei incluir a mãe do menino nos desaforos. A revolta que senti foi tamanha que tive ímpetos de entrar no guichê e [insira sua imaginação aqui]. Contabilize comigo:
- Passagem: R$ 83,00 e alguns centavos;
- Cartão: R$ 10,00;
- Passagem sem desconto: R$ 97,00 e muitos centavos;
- ECONOMIZEI: R$: 4,00.
Pode isso? COMO eu queria ter um amigo advogado (e um amigo cabeleireiro, e um amigo modelo, e um amigo psicólogo…).
O que aprendemos hoje, monstrinhos? Fazer Direito é o que há. A propósito, precisarei viver 341234 anos pra cursar tudo o que quero, mimimi. *guarda o chocolate*

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November 16, 2007

Travei - Parte I


Acontece que as idéias não esperam o banho chegar ao fim ou a mão alcançar o papel ou o computador ser ligado. E embora tarde, fica aquela esperança de que posso ainda salvar qualquer coisa, registrar a essência do que pareceu ser o enredo perfeito de um livro que já existe, mas falta ser registrado. O que resta são fragmentos que não se deixam ser continuados, porque prossegui-los seria trair a abstração original. Err:

Onírico

Eu estava caindo quando Giselda me chamou. Teria sido diferente se ela tivesse pedido perdão. Mas ela se limitou a segurar minha mão e encaminhar-me para o porão da casa do Sir Silva, como gostava de ser chamado o simpático senhor que residia na casa que ficava ao lado, no passado. Por se tratar do que não existe mais, é natural que Silva não estivesse ali. Então, sozinhos no porão, Giselda rasgou minhas vestes e me tragou. Literalmente. Depois se atirou na piscina, com um salto e um requebrado de hula-hula, deixando-me sozinho na rede da casa de praia. Saí. De imediato, senti o frio do Ártico trespassar minha espinha. Eu deveria ter estranhado o ocorrido, mas no Ártico não existem pingüins e deixei-me estar. O relógio quebrou, eu soube depois. Atrasei uma vez mais e comeram meu rim no escritório. Isso antes de eu descer para a seção de corte. Galinhas precisavam ser mortas, repetiu o patrão, precisavam, precisavam. Oito horas cortando e desmembrando asas. Pobres, peço perdão a cada uma delas, em silêncio. Argumento nada poder fazer além de não consumi-las fritas depois. É porque eu as asso. Com cebolas. Então lá estávamos nós outra vez, Maria e eu.

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November 14, 2007

Oficina de leitura


Desde sempre eu quis ter um amiguinho que declamasse poesia comigo. Mas como poesia é algo tão brega quanto a palavra brega (e a palavra abadecídio), esse amiguinho jamais chegou a existir. Aí um professor da Universidade resolve coordenar um projeto que é quase o amiguinho que nunca eu tive: reuniões semanais em que são lidos e “discutidos” textos [que deveriam ser] clássicos. Aspas porque quem interpreta são os outros. Eu ouço e depois me martirizo pensando em como eu não havia visto o lado mais evidente da coisa.
Ontem fui a uma sessão em que esteve presente o tal professor [Doutor, cóf, cóf] coordenador. Ele é legal e sabe um monte e eu saí da reunião mais arrasada que o convencional. Aquela sensação de que nunca li nada profundamente. Mas eu tenho 17 anos e desconheço bordéis, como posso ter experiência o suficiente para entender as ‘inferências’ que fazem autores como Poe? (acresceram outra ‘missão’ ao que deve ser feito para fazer a vida ter valido a pena: plantar um árvore, escrever um livro, ter um filho e freqüentar bordéis). Consola o fato da leitura ser uma atividade subjetiva: o único argumento que eu preciso para alterar a idéia de um escritor é “entendi dessa maneira, seu ignorante”. Enfim.
O texto de ontem foi um conto de Poe, O homem na multidão. Em suma, aquela sua vizinha que não consegue ficar em casa por muito tempo (e, quando é impossibilitada de sair, conversa com a Fátima Bernardes para amenizar a inquietação). A solidão em meio a multidão. Ninguém falou, mas existe um lado bom em ser o tal homem: a inexistência de estereotipação. Todas as outras pessoas eram traídas por sua aparência. O homem da multidão, não. Mas o texto foi-me praticamente um tapa. Eu sou sozinha [mas detesto multidões]. Corrijo-me: sinto PÂNICO em meio a muita gente. Por isso freqüento lugares pouco movimentados. Mas devo estar mudando. Afinal, a razão que me levou ao ostracismo não existe mais. Vamos beber quando, Nayana?
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November 13, 2007


 
Saudade. :(  
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November 12, 2007

dá dá dá


Encarnei Tristan Tzara: vou compor um poema “infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público” (essa foi a definição dada ao escritor, mas eu quero atribuí-la ao poema, dá licença). Tive a originalíssima idéia de aglomerar frases bonitinhas de músicas bonitinhas. Na verdade, são trechos que eu PRECISO cantar quando ouço a composição da qual fazem parte. E sim, eu tenho tendências emo-depressivas, não diga. O título da ‘ode’ foi inteligentemente retirado do dicionário, para fazer jus ao título do texto. Na seqüência, ta-ram ta-ram, GUTA-PERCHA:

Guta-percha

You don’t have to go home, but you can’t stay here
It was really nothing (It was your life)
What the hell am I doing here, I don’t belong here
Eu nem sinto meus pés no chão
I want to change it all
Heaven’s a lie
There’s no one in this life to be here at my side
Não adianta dormir que a dor não passa
Sixteen, clumsy and shy, that’s the story of my life
Minha namorada da primeira vez, onde estás deitada e que forma tem teu rosto agora?
Old loves they die hard, old lies they die harder
That my family don’t seem so familiar
Do you ever dream of escaping?
I’ll run away with you
Se ela quer flores, que cheiro elas têm, marsupiais são do bem
Learn to cry like a baby, then the hurting won’t come back
Let’s go to bed!
Freedom is only a hallucination
Não quero é vender flores nem saudade perfumadas
Maybe I just wanna fly
I wanna shut the door and open up my mind
Find me somebody to love
Amanhã há de ser outro dia…
It’s time to leave your sheltered cage, face you deepest fears
O sol é um só, mas quem sabe são duas manhãs
Estou fugindo casa
When you’re strange, faces come out of the rain
Que coisa mais chata, eu não quero me casar
Life on the other hand won’t let us understand we’re all part of the masterplan
Love sets me free, the prisoner is now escaping
Vá embora e feche a porta, tenho frio, aham
The future’s uncertain, and the end is always near
There’s no reason for living with a broken heart
Pois há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca
I used to dream, you used to fly
Fly me to the moon, let me sing among the stars
Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade, afogarão invejosos
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Love is all you need
Um caminho a percorrer, um sentido a refazer, um país para trocar uma esperança nova no ar
No safety or surprise, the end.

Pergunte a deus quais os artistas citados, que eu tenho preguiça de digitar todos eles. Agora eu vou ali fazer uma cobrinha com caixas de ovo. Tchau.

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November 9, 2007

Dilema


 
 
E as férias. Vou para casa, não entendo por que estou procurando outro apartamento agora.
- Por que cheirar esmalte periodicamente pode ocasionar a perda dos movimentos do braço direito.
Ah, é.
Dois meses contabilizam R$ 120,00 [de diferença]. E eu penso muito antes de comprar uma barra de chocolate de R$ 2,50, seria injusto comigo permitir esse déficit desnecessário.
O risco que corro é o de não conseguir um local próximo da faculdade ano que vem.
Por que mudar é tão difícil? E tão dramático? Bem feito, eu quis ir embora, esvair, evaporar, fugir. Na outra cidade eu tinha DOIS quartos somente meus. Um para dormir e estudar; outro para dormir aos sábados, às 4:00 AM, depois de utilizar o computador e ver sangue sair dos dedos.
A vida real é tãããão complicada. Acho que vou fazer orkut de novo.
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November 8, 2007

de Hábito


Aconteceu DE NOVO. Retornando da faculdade, fui educadamente interceptada na rua. Para quê? Receber um folder de um senhor de idade. Dizia assim: “Qual o caminho para Deus?”. O velhinho tentou estabelecer um diálogo após me entregar o papel [que foi, posteriormente, estrategicamente transformado em envoltório de fragmentos alucinógenos], mas creio que os fones que estavam nos meu ouvidos (“orelhas”, segundo a nova nomenclatura adotada pela biologia, a ciência mais carnaval ever) não o encorajaram muito. Ainda que a pilha do mp3 tivesse acabado e, enfim.
Da outra vez havia sido uma mulher. Num ponto de ônibus. De manhã, cedo. E eu com uma dor sobrenatural nas costas. Ela me entregou um folder também, mas achou não ser suficiente para agregar mais um cordeirinho ao pastor lá de cima. E puxou assunto:
- você costuma ir à igreja?”
- Não. Eu [acho que] sou agnóstica.
- E essa religião não tem igreja?
- Errrrrrr. Não é propriamente uma religião, entende? É, assim, um modo diferente de lidar com coisas supostamente superiores a nós.
- Não tem igreja, mesmo?
- Não.
- E como essa religião encara a vida após a morte, se não tem igreja para salvar a alma?
- Não é uma religião, minha senhora. E eu não acredito em vida póstuma. Aliás, eu sequer acredito em alma.
- NÃO?
- Não.
- Mas você TEM QUE IR a uma igreja. Sério, aparece na minha, o endereço está aqui atrás, ó.
Salva pelo ônibus.
Evangélicos e católicos são uns chatos. Pregam a igualdade, a existência de um deus comum a todas as religiões, mas quase morrem na tentativa de converter alguém. Prefiro os orientais. A ingenuidade deles é cativante. Na rua, uma vez, fui abordada por um ‘discípulo’ de Hare Krishna. Com ele a conversa foi bacana. E longa. Ele afirmava, eu rebatia, ele fugia do assunto e eu achava legal fugir também. Ele quis me convencer de que a vida no campo é a solução para a humanidade. E estava pedindo dinheiro para a manutenção desse projeto totalmente auto-suficiente. A puerilidade, ai. E no fim fui presenteada com um incenso. Cheirava a sabonete e queimou em cinco minutos. Pólvora com essência? Aham.
E meu pai. Fanático. Ele disse que, se morrer antes de mim (ele também é ingênuo), me mandará (mandar-me-á?) uma prova da existência do transcendente. E eu vou esperar, LÓGICO.
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November 6, 2007

Fabricando Tom Zé


 
 
Ah, Zezinho. Indicação de + o Hilquias (artigo denota intimidade, né?).
- Baixe Grande Liquidação porque eu gosto mais de Estudando o Samba.
Baixei. Fiz o down, tá ligado?. E meu desgosto foi enorme, grande mesmo. Mó sensação de WHAT THE SHIT?. Não lembro se na ocasião disse isso a ele (Hilquias) ou não. Lembro apenas que, por consideração (opinião de [agora ex] namorado deve ser levada em conta, acho) não enviei o álbum para a pasta trash, a primeira a ser excluída quando o HD enchia (40 gb, céus).
O tempo passa e as casas também. Sem internet, fui/sou obrigada a ouvir DIREITO o montante de coisas que baixei compulsivamente durante um ano inteirinho. Tom Zé. Acho a primeira música bonitinha. A segunda eu passo. A terceira eu ouço do começo ao fim. Mais uma vez. E outra. E cantarolo o dia todo. Namorinho no portão, suspiro. Do tempo em que pegar na mão era um sacrilégio ante o público, mas passo pulado quando ‘no reservado’.
Assisti ao documentário na sexta. Ri pacas. O cara é MUITO engraçado, figurão dos grandes (ninguém percebeu o pleonasmo, disfarça). Quando ele fala sobre tocar enceradeira, quando ele mostra aos gringos que brasileiro não foi feito para ser pisado, não senhor, vá pra porra. Enfim. E teve bônus: Mutantes cantando ‘dois mil e um’, letra ‘inacabada’ de Tom.
Agora eu vou esperar as férias para baixar Estudando o Samba e fazer média com Hilquias, wub.

É somente requentar,
E usar
Porque é made, made, made
Made in Braziiiiiil.
*dobra o joelho*

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November 5, 2007

Coceira


O dia em que eu deixar de me sentir ridículo, os terei vencido.
Fausto Wolff, como muitos escritores legais (coisa que a crítica odeia, a propósito), não é conhecido dos leitores brasileiros.
- Generalizar é feio, alô.
Ok, ok. EU nunca tinha lido qualquer coisa dele ou que fizesse referência a ele. Aí fui à biblioteca [nova, ãin, de medíocre passou a supimpa] e, como sempre, fiquei andando entre as prateleiras esperando o livro da vez cair sobre minha cabeça. Não que isso já tenha acontecido, mas podemos fazer de conta que sim, isso aqui é literatura, ou quase.
O livro não caiu, confesso, mas era porque ele estava bem embaixo e tal. É errado julgar o livro pela capa e, conseqüentemente, pelo título, mas que outro critério poderia ser adotado? Tamanho? É vergonhoso ler coisas fininhas quando se é adulta. O bibliotecário pode interpretar mal, heh.
Matem o cantor e chamem o garçom: um lombo com essa impressão não passa batido, não senhor. Extremamente bom e engraçado e deprimente. Uma obra decente é aquela que consegue ser várias coisas contraditórias ao mesmo tempo. O cômico do livro é o português, o modo de expor os fatos. O melancólico, os fatos. Aquilo que já sabemos: o absurdo que é esse mundo e as convenções adotadas pelos humanos. “Convenções” enquanto critérios para distinguir normalidade de aberração.
A história é composta de pequenos contos, divididos em quatro partes: jardim, prisão, casa e hospital. Em síntese, do jardim ele, Parsifal (que eu insisto em ler “Parsival”), é levado à prisão por ter queimado os livros de um menino, argumentando que a escola não ensina coisa alguma etc., o que também já sabíamos. Depois ele volta para casa e decide não mais sair dela, para evento que seja. Seu comportamento “estranho”, aliado a outras tentativas de atentado ao pudor, o leva ao hospital, vulgo manicômio, onde eu não lembro o que acontece.
Os gaúchos são os melhores autores brasileiros, definitivamente. Tá, só do modernismo em diante.
Pra terminar:
Olhos que dizem que o planeta é pequeno demais para nós. Para mim e a realidade.
Óun. Eu, oi.
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November 1, 2007

Você percebe que leva uma vida ociosa quando…


…passa um DIA INTEIRO imaginando situações envolvendo seres humanos com sistema digestório incompleto:
- Mor, tá subindo, momento.
- Cidadãos deste país: na condição de presidente prometo cóf cóf…*corre* [interrompemos a programação etc.]
- Não existiriam gays, omg.

…e anos mais tarde os professores ensinariam que “o esfíncter da válvula cárdia foi uma importante adaptação da espécie blá blá”. Melhor, “o esfíncter VOLUNTÁRIO da válvula, enfim.

Ai, náusea.

Bem interessante para um primeiro texto, vai negar?

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