Oficina de leitura
Desde sempre eu quis ter um amiguinho que declamasse poesia comigo. Mas como poesia é algo tão brega quanto a palavra brega (e a palavra abadecídio), esse amiguinho jamais chegou a existir. Aí um professor da Universidade resolve coordenar um projeto que é quase o amiguinho que nunca eu tive: reuniões semanais em que são lidos e “discutidos” textos [que deveriam ser] clássicos. Aspas porque quem interpreta são os outros. Eu ouço e depois me martirizo pensando em como eu não havia visto o lado mais evidente da coisa.
Ontem fui a uma sessão em que esteve presente o tal professor [Doutor, cóf, cóf] coordenador. Ele é legal e sabe um monte e eu saí da reunião mais arrasada que o convencional. Aquela sensação de que nunca li nada profundamente. Mas eu tenho 17 anos e desconheço bordéis, como posso ter experiência o suficiente para entender as ‘inferências’ que fazem autores como Poe? (acresceram outra ‘missão’ ao que deve ser feito para fazer a vida ter valido a pena: plantar um árvore, escrever um livro, ter um filho e freqüentar bordéis). Consola o fato da leitura ser uma atividade subjetiva: o único argumento que eu preciso para alterar a idéia de um escritor é “entendi dessa maneira, seu ignorante”. Enfim.
O texto de ontem foi um conto de Poe, O homem na multidão. Em suma, aquela sua vizinha que não consegue ficar em casa por muito tempo (e, quando é impossibilitada de sair, conversa com a Fátima Bernardes para amenizar a inquietação). A solidão em meio a multidão. Ninguém falou, mas existe um lado bom em ser o tal homem: a inexistência de estereotipação. Todas as outras pessoas eram traídas por sua aparência. O homem da multidão, não. Mas o texto foi-me praticamente um tapa. Eu sou sozinha [mas detesto multidões]. Corrijo-me: sinto PÂNICO em meio a muita gente. Por isso freqüento lugares pouco movimentados. Mas devo estar mudando. Afinal, a razão que me levou ao ostracismo não existe mais. Vamos beber quando, Nayana?
Ontem fui a uma sessão em que esteve presente o tal professor [Doutor, cóf, cóf] coordenador. Ele é legal e sabe um monte e eu saí da reunião mais arrasada que o convencional. Aquela sensação de que nunca li nada profundamente. Mas eu tenho 17 anos e desconheço bordéis, como posso ter experiência o suficiente para entender as ‘inferências’ que fazem autores como Poe? (acresceram outra ‘missão’ ao que deve ser feito para fazer a vida ter valido a pena: plantar um árvore, escrever um livro, ter um filho e freqüentar bordéis). Consola o fato da leitura ser uma atividade subjetiva: o único argumento que eu preciso para alterar a idéia de um escritor é “entendi dessa maneira, seu ignorante”. Enfim.
O texto de ontem foi um conto de Poe, O homem na multidão. Em suma, aquela sua vizinha que não consegue ficar em casa por muito tempo (e, quando é impossibilitada de sair, conversa com a Fátima Bernardes para amenizar a inquietação). A solidão em meio a multidão. Ninguém falou, mas existe um lado bom em ser o tal homem: a inexistência de estereotipação. Todas as outras pessoas eram traídas por sua aparência. O homem da multidão, não. Mas o texto foi-me praticamente um tapa. Eu sou sozinha [mas detesto multidões]. Corrijo-me: sinto PÂNICO em meio a muita gente. Por isso freqüento lugares pouco movimentados. Mas devo estar mudando. Afinal, a razão que me levou ao ostracismo não existe mais. Vamos beber quando, Nayana?
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