UAU
De todas as inutilidades que engolimos em tamanho super quase diariamente, não há mais imprestáveis que freqüentar aulas de redação (“redação”, e não “produção textual”). Dificilmente agregam alguma coisa e conseguem ser maçantes SEMPRE. Quando não se discute o fato de tráfego e tráfico serem coisas diferentes, são propostos temas tri-originais para elaboração do texto: meio ambiente, racismo (cotas, cotas…), qual dos livros sugeridos para o vestibular você indicaria e por que, globalização, etc. Aí você se submete, escreve o que todos escreverão (primeiro, porque originalidade não existe; segundo, porque se eu disser que KRA, EU ÇOU ARIANA E KERO QUE OS PRETOS SI FODÃO certamente minha nota terá gostinho de jaca) e recebe a mesma nota baixa de sempre. E sem justificativa. Você não sabe onde errou e conclui que o texto inteiro foi um equívoco. Ninguém se sente um cocô com isso. Não mesmo.
Mas ontem foi diferente. Depois de perdida metade da aula com leitura de redações de vestibular (redações ruins – é preciso rir dos desacertos alheios), o tema proposto foi o seguinte: o que é ser jovem hoje?
Bem. Err. Fiquei pensando primeiro na minha condição. Depois na situação da maioria das pessoas da minha idade. E mais tarde tentei distinguir isso da ‘vida adulta’.
Não consegui concluir nada. Melhor. Conclui o que já havia concluído outras vezes: eu sou diferente. Não ‘diferente’ enquanto ‘singular’, mas ‘diferente’ enquanto ‘coisa que não se adapta’. Grosso modo, um etezinho. Mas não querem saber de mim, querem saber do todo. E o todo usa drogas, fica com uns aqui e ali, ouve o que estiver passando na Jovem Pan, assiste Malhação, pinta as unhas e faz tatuagem. E compra um tênis da Nike para se sentir único no universo. KJLKÇAJÇSKLDFÇJAG. Perdão. E começa a trabalhar cedo para ser independente (ninguém admite que a dependência é uma constante: hoje os pais, amanhã o mercado, depois o marido (eca) e assim por diante).
Folhas brancas conseguem ser convidativas e atemorizantes, né? Não sei, mesmo. Ser jovem é se preocupar em conseguir estabilidade para a vida adulta e ser adulto é se preocupar em escolher alguém para trocar as fraldas da velhice. Acho (não, eu não penso) que são as únicas constantes.
Ficou faltando um sentido pra isso tudo? Pois é assim mesmo. Salvas as vezes em que a consciência não vem.
Vem cá: mais alguém deseja lançar uma granada sobre todas as estações de canais abertos?
*conspira*
Mas ontem foi diferente. Depois de perdida metade da aula com leitura de redações de vestibular (redações ruins – é preciso rir dos desacertos alheios), o tema proposto foi o seguinte: o que é ser jovem hoje?
Bem. Err. Fiquei pensando primeiro na minha condição. Depois na situação da maioria das pessoas da minha idade. E mais tarde tentei distinguir isso da ‘vida adulta’.
Não consegui concluir nada. Melhor. Conclui o que já havia concluído outras vezes: eu sou diferente. Não ‘diferente’ enquanto ‘singular’, mas ‘diferente’ enquanto ‘coisa que não se adapta’. Grosso modo, um etezinho. Mas não querem saber de mim, querem saber do todo. E o todo usa drogas, fica com uns aqui e ali, ouve o que estiver passando na Jovem Pan, assiste Malhação, pinta as unhas e faz tatuagem. E compra um tênis da Nike para se sentir único no universo. KJLKÇAJÇSKLDFÇJAG. Perdão. E começa a trabalhar cedo para ser independente (ninguém admite que a dependência é uma constante: hoje os pais, amanhã o mercado, depois o marido (eca) e assim por diante).
Folhas brancas conseguem ser convidativas e atemorizantes, né? Não sei, mesmo. Ser jovem é se preocupar em conseguir estabilidade para a vida adulta e ser adulto é se preocupar em escolher alguém para trocar as fraldas da velhice. Acho (não, eu não penso) que são as únicas constantes.
Ficou faltando um sentido pra isso tudo? Pois é assim mesmo. Salvas as vezes em que a consciência não vem.
Vem cá: mais alguém deseja lançar uma granada sobre todas as estações de canais abertos?
*conspira*
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