Pode abrir, é a morte
Estava eu, nem tão serelepe nem tão saltitante, lendo Ossos ontem à tarde. É um livro regular – a idéia é legal, mas as duas histórias que o compõe não são lá aquilo. Dois autores recebem um gentil convite para escrever um texto relacionado a um conjunto de imagens. A temática de todas elas: esqueletos. Sobre o que os dois escreveram? Hein? Hein? Morte. Muito original (não que eu acredite em originalidade, mas, err, rê). Aí me pus a pensar a respeito – nos devaneios suicidas que rondavam minha mente de 13, 14, 15, 16 anos, nas especulações sobre a maneira mais divertida (sim, ‘divertida’ é mesmo a palavra) de deixar esse mundo infernal, em como aulas de química podem contribuir para as já referidas especulações e, enfim. Pensei em hoje e constatei, sem muito alarme, que as coisas não mudaram muito. Continuo com a idéia fixa de que deixarei esta vida quando eu achar conveniente. A morte, a meu ver, não é esse dramalhão todo que nos impingem. É só o fim, que mal pode haver nisso? Não há nada depois, porque seria crueldade demais submeter o homem a outra sessão de pisoteamento. Ah vá: felicidade eterna é tediante e reencarnação é deprimente.
Então eu chego a casa, à noite, e sou informada de que uma tia veio a óbito. Minha primeira reação foi tiop assim SHIT, mas raciocinando depois, que bom que aconteceu logo, o câncer não mais a fará sofrer (espero). Dói mesmo o fato de estar 700 km longe de casa sem poder acudir aos meus. A constância do sofrimento me angustia: a dor de quem vai parece transplantar-se nos que ficam. Pai, mãe, digam ao padrinho que eu sinto muito.
Então eu chego a casa, à noite, e sou informada de que uma tia veio a óbito. Minha primeira reação foi tiop assim SHIT, mas raciocinando depois, que bom que aconteceu logo, o câncer não mais a fará sofrer (espero). Dói mesmo o fato de estar 700 km longe de casa sem poder acudir aos meus. A constância do sofrimento me angustia: a dor de quem vai parece transplantar-se nos que ficam. Pai, mãe, digam ao padrinho que eu sinto muito.

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o câncer é a maldição dos contemporâneos. meu avô morreu de câncer no início do ano e eu estava na Bahia… passei o ano tendo que conviver com o luto de minha vó, sem saber como lidar com isso. não sei se sou fria ou insensível, mas acredito que o corpo vai - o espírito fica. convivo com a idéia de que ele ainda está aqui - e já não sofre com as dores da doença.
quanto ao suicídio, esta idéia idiota já passou muitas vezes pela minha cabeça. um dia, descobri que isso só ameniza o lado de quem vai - quem fica não entende os motivos. depois de ler Durkheim, descobri que isso é o suicídio egoísta - sim, é muito egoísmo partir dessa por livre e espontânea vontade e deixar os outros aqui, sofrendo. no início do ano, pouco depois de enterrar meu avô, enterrei um amigo de 19 anos, que se matou com um tiro no peito. não aguentei ver a mãe chorando sobre o filho morto - e se fosse o meu? quem leva a dor de uma mãe que perde um filho dessa maneira? antes de se matar, pense em quem te ama…
Comment by Nira - a do livro — December 28, 2007 @ 6:09 am