outro Braga
Estou lendo “As boas coisas da vida”, de Rubem Braga. Peguei-o porque estava cansada de não poder acrescentar nada quando assunteávamos sobre o dito autor. Não que eu converse sobre esse tipo de coisa com as pessoas, mas amigos imaginários sabem ser bem exigentes às vezes, não é, Jim?
As expectativas não eram lá aquelas. Nada comparado à Adams e Allen. Mas eu até simpatizei com o animal, confesso. A impressão que ficou, contudo, é a de que ele transita entre as duas primeiras fases do escritor.
Pausa para esclarecimentos:
Num primeiro momento, todo escritor é do tipo "mamãe, olha, fui eu que desenhei!". Nessa etapa pretende-se impressionar os demais. Para isso, o dicionário é freqüentemente consultado e são feitas incontáveis revisões. Cavalos transformam-se em eqüinos, bunda vira glúteos, macacos são primatas primitivos.
Na etapa seguinte o dicionário fica longe, a gramática sangra e o escritor se liberta. Entra-se num momento em que a expressão é realmente o que conta, mesmo que para isso seja mister se utilizar da tão popular “licença poética” (“ele sabia que estava errado e só não colocou sic porque isso é coisa de gente gavola”). A terceira e última fase, sim, é a ambição de todo redator: palavras feias tecem uma redação bonita. Acontece, porém, que ao chegar nesse estágio ou a pessoa está ao pé da cova ou sente-se deus e passa a gastar energia falando mal de Drummonds, de Pectors, de Andrades. Porque agora ele pode.
Escritores bons são aqueles que oscilam entre a segunda e a terceira fase. Sabem que são bons e sabem também que, embora difícil, ainda é possível melhorar.
Fim da pausa.
Tudo isso só para comentar uma de suas crônicas. Não é que o cara escreveu que o brasileiro é o único povo que esnoba sua bebida verdadeiramente nacional? E não é que, pensando bem, é isso mesmo? A cachaça é nossa, escreveu ele. Todos bebem e falam que preferem vinho. Todos bebem e ignoram a procedência do produto, porque não importa de onde vem, sempre é do canto do fundo do quintal. E ai do político que disser que seria legal que os alambiques fossem fiscalizados e etc. etc.
Leiam o livro, bem interessantes as crônicas. Nunca mais esquecerei que foi Estácio de Sá quem expulsou os franceses e Costa e Silva quem instaurou o AI-5. Falar em história, eu zerei a discursiva sobre diretas já. Parabéns pra mim.
Ah, apa. Zerou discursiva e passou, a GAVOLA… *ops, fiz isso na UDESC* :hihihi:
Texto novo? [*quero mais ainda*] vários no forno, um quaaaase no prelo. Não mostro antes porque tenho vergonha. */dedo*
Comment by Nayana — December 29, 2007 @ 12:54 am
Muito legal o Texto, ainda mais por se tratar de um dos crônistas que mais gostei de ler. Bom, mas escrever bem sem ser pudico com as palavras, aí vai uma dica, BUKOWSKI, esse cara é foda. Outras palavras usadas sem meio termos, geração beatnick. Ah! E não esqueça o nosso Rubem Fonseca.
Comment by Guilherme Lima — December 29, 2007 @ 4:07 am
Eu A-MO Rubem Fonseca. *_*
Comment by Administrator — December 29, 2007 @ 12:31 pm