Mais uma coisa
Abrindo uma exceção porque achei sobre o que falar.
Já escrevi por aí o que tenho feito à tarde (depois de acordar ao meio-dia, lavar a louça e assistir “Todo mundo odeia o Chris”).
A desocupação fez com que eu olhasse três filmes em um único dia. Tó:
1. Tudo por um sonho – Diretor desconhecido aqui.
Sabe, eu achei que foi a metamorfose do Kafka numa versão a-fantástica. Eles viviam em Cuba, mulher e filha vão pros States e o marido, por alguma razão obscura, julga preferível ficar por aqui mesmo, dançando valsa com o Fidel. Aí ele sente saudades e quer ir para lá também, mas, por um motivo também oculto, não consegue. Depois de 20 anos ele finalmente vai. Bom, o miolo: marido e mulher esperam 19 anos, 11 meses e 25 dias para se reencontrar. Não conseguem de imediato, mas quando acontece, dão-se conta de que não, o policial tem os dentes melhores e a vendedora de flores não tem peito caído. Fim.
2. Viajantes do tempo – Diretor obscuro aqui.
Puta filme legal. Um homem e um menino viajam pelos fatos históricos. O engraçado é que Dumont não aparece – os inventores do avião são os Irmãos Wright, inquestionavelmente. Foi por isso que, em algum momento do passado, eu desisti de História (tá, e também o mercado: dar aula não é para mim). É tudo relativo, tudo manjado. Ninguém tem culpa, bandidos são heróis, vivas, vivas. Fora o fato da política fundamentar tudo. Enfim. De 1984 ficou aquele trecho: o que é história? É registro e é memória. Os registros a gente manipula. A memória a gente controla.
Depois de assistir o longa deu aquela vontade de estudar. Um ano fazendo cursinho, absorvendo tudo mecanicamente, decorando tudo sem a devida análise. Hitler foi homem, teve alguém que limpou suas fraldas, disse sua primeira palavra (“heil!”), chorou algum dia, sorriu também. Depois ele realizou aquilo que a gente algum dia teve vontade de realizar, mesmo que inconscientemente. E achamos ruim (não me responsabilizo pela opinião dos habitantes de Pomerode).
E teve Robin Hood também, ai meu deus. Fucem em alguma locadora de VHS, vale a pena.
3. Projeto secreto macacos – Diretor misterioso aqui.
Regular. Relata as experiências realizadas, supostamente, nos EUA durante a Guerra Fria. A idéia era saber quanto tempo os pilotos sobreviveriam em uma terceira guerra, considerando-se que esta seria quase que exclusivamente nuclear e, portanto, sujeitaria todos à radioatividade. Os bichinhos escolhidos para as simulações eram macacos, porque eles são geneticamente semelhantes aos humanos e blá blá. É a polêmica atual: usar animaizinhos indefesos em laboratórios é ético?
Francamente, não sei. Quando sacrificam pessoas em rituais religiosos (hoje designados macabros) todos bufam. Mas se for a favor da ciência, pode, é pelo bem de todos, pelo bolso de alguns e para o bolso de poucos. Né?
Agora sim, eu volto em Março. Bitocas, amores.





