Meus pareceres:
sociais: favorável;
raciais: contrária.
Porque:
Quem estudou a vida inteira em escola pública e foi prestar vestibular no final do terceiro ano SENTE a educação torta que recebeu. E falo como a estudante exemplar que fui e que sou (cóf) – revisava e reviso todo o conteúdo em casa, muito embora os livros didáticos/fotocópias não instruíssem/instruam tanto assim.
Francamente, eu penso que as coisas deveriam ser meio a meio: 50% das vagas destinadas a estudantes de escolas públicas e 50% a estudantes de escolas particulares. Convenhamos: a Universidade ESTÁ LONGE de ser aquele ambiente intelectual que todos idealizam. Chutando alto, essa elite deve ocupar assim uns digamos 3% de todo o corpo discente. O restante está lá para “qualificar sua mão de obra”. Por que então não aumentar as possibilidades de um pobre-filho-da-puta conseguir uma vaga e tentar sair do breu em que teve a infelicidade de nascer?
Há quem diga que estes estudantes não conseguirão acompanhar o curso, e eu não nego – mas se não tiverem uma oportunidade, nunca saberemos.
Há quem diga que, sendo assim, as cotas serão um puro desperdício de vagas. HAHA, impossível a evasão ser maior do que já é.
Há quem diga que faltarão escolas públicas. Não vejo o porquê, uma vez que os cotistas disputam 20% das vagas, e as outras 80% continuam para os [na grande maioria] filhinhos de papai.
Universidade pública é para todos, inclusive para os que não podem pagar uma particular.
Os negros, bem, ou eles tiveram uma boa educação ou não, podendo ser perfeitamente enquadrados em um dos grupos supracitados.
LÓGICO que, quando o ensino fundamental público for de qualidade, as cotas não terão mais motivo de ser.
De qualquer forma, eu achei que foi uma medida menos burra que o PROUNI, ainda que, no oeste do estado, tenha sido eficiente para as pessoas que não tem a menor condição de residir em uma cidade universitária. “Eficiente” no sentido de proporcionar a elas um diploma de nível superior, porque todos acabarão cortando frango em alguma agroindústria próxima.
Fica a promessa de uma Universidade Federal em Chapecó, ao que tudo indica. Mas até lá, muitas formaturas sucederão, a minha inclusa. Uma delas, pelo menos.
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