February 4, 2008

Vamos falar sobre as cotas


Meus pareceres:

                        sociais: favorável;
                        raciais: contrária.

Porque:

Quem estudou a vida inteira em escola pública e foi prestar vestibular no final do terceiro ano SENTE a educação torta que recebeu. E falo como a estudante exemplar que fui e que sou (cóf) – revisava e reviso todo o conteúdo em casa, muito embora os livros didáticos/fotocópias não instruíssem/instruam tanto assim.

Francamente, eu penso que as coisas deveriam ser meio a meio: 50% das vagas destinadas a estudantes de escolas públicas e 50% a estudantes de escolas particulares. Convenhamos: a Universidade ESTÁ LONGE de ser aquele ambiente intelectual que todos idealizam. Chutando alto, essa elite deve ocupar assim uns digamos 3% de todo o corpo discente. O restante está lá para “qualificar sua mão de obra”. Por que então não aumentar as possibilidades de um pobre-filho-da-puta conseguir uma vaga e tentar sair do breu em que teve a infelicidade de nascer?

Há quem diga que estes estudantes não conseguirão acompanhar o curso, e eu não nego – mas se não tiverem uma oportunidade, nunca saberemos.

Há quem diga que, sendo assim, as cotas serão um puro desperdício de vagas. HAHA, impossível a evasão ser maior do que já é.

Há quem diga que faltarão escolas públicas. Não vejo o porquê, uma vez que os cotistas disputam 20% das vagas, e as outras 80% continuam para os [na grande maioria] filhinhos de papai.

Universidade pública é para todos, inclusive para os que não podem pagar uma particular.

Os negros, bem, ou eles tiveram uma boa educação ou não, podendo ser perfeitamente enquadrados em um dos grupos supracitados.

LÓGICO que, quando o ensino fundamental público for de qualidade, as cotas não terão mais motivo de ser.

De qualquer forma, eu achei que foi uma medida menos burra que o PROUNI, ainda que, no oeste do estado, tenha sido eficiente para as pessoas que não tem a menor condição de residir em uma cidade universitária. “Eficiente” no sentido de proporcionar a elas um diploma de nível superior, porque todos acabarão cortando frango em alguma agroindústria próxima.

Fica a promessa de uma Universidade Federal em Chapecó, ao que tudo indica. Mas até lá, muitas formaturas sucederão, a minha inclusa. Uma delas, pelo menos.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


2 Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://deplastico.blogsome.com/2008/02/04/vamos-falar-sobre-as-cotas/trackback/

  1. “Universidade pública é para todos, inclusive para os que não podem pagar uma particular.”

    Todas as universidades deveriam ser públicas, educação não é mercadoria, PORRA!!!!

    Quanto às cotas pra negros, imagina passar séculos sofrendo discriminação e sendo deixado à margem da sociedade - porque tu é negro. Imagina procurar um trampo e um cara branco com currículo pior que tu ganhar o emprego - porque tu é negro. Imagina tu entrar num ônibus com uma roupa mais largada e as pessoas ficarem te olhando com desconfiança - porque tu é negro.

    Agora eu te pergunto: quem, em sã consciência, sofrendo este tipo de coisa, tentaria entrar numa universidade? As cotas nada mais são do que uma reparação ínfima a tudo que os negros sofreram, sofrem e sofrerão nessa sociedade capitalista.

    “LÓGICO que, quando o ensino fundamental público for de qualidade, as cotas não terão mais motivo de ser.”

    ahshahsahhsasa tu é engraçada mesmo, boa piada essa. O ensino NUNCA vai ser de qualidade enquanto o ensino servir apenas para criar mão-de-obra, cara Daniele Rohr. E isto não vai mudar enquanto o capitalismo sobreviver. Os ricos não querem que os pobres se instruam, não querem que pensem, não querem que façam nada além de trabalhar, consumir e fornicar (o suficiente para gerar um ou dois filhos, depois já é exagero); a escola não serve pra ensinar, serve pra tutelar. Só querem empregados que “saibam o seu lugar” e obedeçam ao patrão sem questionar.

    Vou parar por aqui; não quero escrever um texto.

    Comment by Anti — February 18, 2008 @ 2:27 pm

  2. AGORA QUE EU VI KJDFKLDJFLÇASD.
    Então. Aquela parte do “Universidade pública é para todos, inclusive para os que não podem pagar uma particular” foi sarcasmo, e eu sei que você interpretou como sendo.
    Sobre os negros, é complicado. Concordo que eles sofreram preconceito a vida inteira e etc etc, mas eu ACHO que as coisas estão mais equilibradas hoje. Falo por mim, você sabe que eu sou um ser alienado que raramente cruza as paredes do quarto, quem dirá por os pés na rua e ir encarar essa sociedade imbecil.
    E tenho essa opinião porque, assim, quase todos os negros que eu conheço são fodões, você incluso.
    Fora, também, o fato de existirem MUITAS formas de discriminação. Obesidade, por exemplo. E não vem com esse papinho de “você é gorda porque quer” não. Enfim. =x

    “LÓGICO que, quando o ensino fundamental público for de qualidade, as cotas não terão mais motivo de ser.”

    O “qualidade” ali é relativo. Cê acha que as escolas particulares tem como objetivo fazer o estudante pensar? HAHAHAGKJHFKLJASDF. Elas querem é enfiar o aluno na universidade e transformá-lo em estatística. Vestibular é decoreba, e ninguém precisa ser pensante pra isso.

    Comment by Administrator — February 19, 2008 @ 11:53 am

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>