July 6, 2008

De volta ao lar


É sempre assim: volto para casa e esse mal-estar me acomete já na entrada, torna-se agudo na sala de estar e crônico quando atinjo o quarto. Não é ex-saudade, não é o reencontro com as paredes que presenciaram o que passou. É só uma quase angústia, uma perturbação que não me larga.
Férias. Não como as do ano que passou. Porque agora eu esfriei – não chorei quando vi papai e mamãe. Chorei lá, longe, quando da visita de meu irmão: normalmente fico inconsciente quanto à distância das coisas que amo. Mas agora não, está tudo certo, tudo igual. Exceto pelo fato de ter um apego na outra cidade – coisa até aqui inédita também. Ruim isso de ter muitos afetos em muitos lugares. Enfim.
O amor pela máquina diminuiu, é preciso acrescer. Já não acarinho o mouse como antes. E meus olhos ficaram mais sensíveis, também.
Agora tenho minha cama com o cheiro do amaciante da mamãe. Tenho minhas músicas com plugin de letra e tudo, pra cantar descaradamente com meu inglês porco. Tenho chimia de ovo, rapadura e cuca de côco. E churrasco, como não podia deixar de ser. Tenho minha mesa de estudos no porão mofado.
É bom, muito bom. Só não tenho pessoas, porque elas estão fazendo cursos em universidades que fazem greve e desgraçam com a data das férias. Quando eles vêm, eu volto.
O desapego é conseqüência desse vai-e-vem todo. A inconstância também. Mas é legal, aprendi muito, muito mesmo. E mudei mais do que gostaria. A fase nerd-geek-master havia me deixado descontraída, espontânea. A universidade me azedou. Mas agora o curso está legal, as perspectivas são boas, deixei o misto de revolta e decepção de lado. É assim mesmo, fazer o que. Outro ponto em mim que se alterou: agora eu sou conformada. Mudar de cidade não mudou minha vida. São outros prédios, outras casas, outros corpos. A mentalidade é a mesma. Murchei: deve ser mais fácil ser feliz mudando qualquer coisa em mim do que tentando mudar o montante errado que me cerca. Marcel discordará de mim nesse ponto, mas só o fará porque não se frustrou com o que julgava ser o marco de um novo modo de existir.
Agora só me falta um caderno. Quero voltar a escrever. Para mim. Como era antes dessa coisa de prestar contas gramaticais e formatacionais (?) a uma instituição. ABNT sux. Falar nisso, preciso aprender a usar o word.
Agora eu vou ler até chorar e dormir. Dormir com o despertador desligado, claro.

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6 Comments »

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  1. Eu tb já não choro quando revejo meus pais. Coisa estranha, mas parece que a distância anestesia qualquer coisa com o passar o tempo. Não é que deixe de existir amor familiar, mas as cores ficam aquareladas.

    Saudades de vc, de te encontrar na biblioteca…
    Se cuida, viu.

    É. O que era vibrante ficou pastel. Saudades de ti também, dos olhinhos pequenos (redundância, oi) e da bunda grande. Falar nisso, quando acaba seu contrato na BU? :(

    Comment by Karol Braun — July 7, 2008 @ 4:20 pm

  2. Pessoal demais, mandei para meu e-mail.
    Já já tá acabando, já já tô de volta. Preciso tirar essa nata que encobriu meu leite.
    Uma pena você não estar aqui pra ver esse céu e rolar nessa grama. Não tão verde quanto a do CIC, mas mais fofa que aquela. Vai ficar tudo bem, cê vai ver. :wub:

    Comment by Geleiras — July 7, 2008 @ 9:28 pm

  3. PS: Adorei o template eu voudesenhar o meu com caneta bic ok?

    Ok, coloque o link da imagem no desenho e o código das cores dos links também. E a fonte, e o tamanho da fonte. E não fuja do esquema “topo + 2 colunas”, porque meu html não permite mais que isso. Na verdade até permite, não fossem esses navegadores baratos que circulam por aí. Meu layout ficou comprometido por causa disso (a coluna do perfil era azul no plano mestre, mas ficou desolacada no ie e eu não tenho saco pra descobrir meios de fazer ficar no lugar >< ). Enfim.

    Comment by Geleiras — July 7, 2008 @ 9:31 pm

  4. aqui tá um “saco”, esses dias que mais parecem uma eternidade!
    mal posso esperar p chegar aí comer rapadura, e muito churrasco.Ah cuca tb, quero muito.

    TEXTO LEGAL,MAS QUERO A CONTINUAÇÃO DO “TRAVEI”.

    bj

    Igonorado.

    Comment by jorge — July 8, 2008 @ 5:33 pm

  5. Ok, ser menos sentimental da proxima vez… snuf..

    :*

    Comment by Eduardo Merculino — July 9, 2008 @ 1:23 am

  6. Eu não tenho bunda grande, é só quadril de gorda mesmo.
    Ter bunda de negona era meu sonho =/

    mimimimi.

    Comment by Karol Braun — July 9, 2008 @ 1:44 pm

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