De volta ao lar
É sempre assim: volto para casa e esse mal-estar me acomete já na entrada, torna-se agudo na sala de estar e crônico quando atinjo o quarto. Não é ex-saudade, não é o reencontro com as paredes que presenciaram o que passou. É só uma quase angústia, uma perturbação que não me larga.
Férias. Não como as do ano que passou. Porque agora eu esfriei – não chorei quando vi papai e mamãe. Chorei lá, longe, quando da visita de meu irmão: normalmente fico inconsciente quanto à distância das coisas que amo. Mas agora não, está tudo certo, tudo igual. Exceto pelo fato de ter um apego na outra cidade – coisa até aqui inédita também. Ruim isso de ter muitos afetos em muitos lugares. Enfim.
O amor pela máquina diminuiu, é preciso acrescer. Já não acarinho o mouse como antes. E meus olhos ficaram mais sensíveis, também.
Agora tenho minha cama com o cheiro do amaciante da mamãe. Tenho minhas músicas com plugin de letra e tudo, pra cantar descaradamente com meu inglês porco. Tenho chimia de ovo, rapadura e cuca de côco. E churrasco, como não podia deixar de ser. Tenho minha mesa de estudos no porão mofado.
É bom, muito bom. Só não tenho pessoas, porque elas estão fazendo cursos em universidades que fazem greve e desgraçam com a data das férias. Quando eles vêm, eu volto.
O desapego é conseqüência desse vai-e-vem todo. A inconstância também. Mas é legal, aprendi muito, muito mesmo. E mudei mais do que gostaria. A fase nerd-geek-master havia me deixado descontraída, espontânea. A universidade me azedou. Mas agora o curso está legal, as perspectivas são boas, deixei o misto de revolta e decepção de lado. É assim mesmo, fazer o que. Outro ponto em mim que se alterou: agora eu sou conformada. Mudar de cidade não mudou minha vida. São outros prédios, outras casas, outros corpos. A mentalidade é a mesma. Murchei: deve ser mais fácil ser feliz mudando qualquer coisa em mim do que tentando mudar o montante errado que me cerca. Marcel discordará de mim nesse ponto, mas só o fará porque não se frustrou com o que julgava ser o marco de um novo modo de existir.
Agora só me falta um caderno. Quero voltar a escrever. Para mim. Como era antes dessa coisa de prestar contas gramaticais e formatacionais (?) a uma instituição. ABNT sux. Falar nisso, preciso aprender a usar o word.
Agora eu vou ler até chorar e dormir. Dormir com o despertador desligado, claro.
Eu tb já não choro quando revejo meus pais. Coisa estranha, mas parece que a distância anestesia qualquer coisa com o passar o tempo. Não é que deixe de existir amor familiar, mas as cores ficam aquareladas.
Saudades de vc, de te encontrar na biblioteca…
Se cuida, viu.
Comment by Karol Braun — July 7, 2008 @ 4:20 pm
Comment by Geleiras — July 7, 2008 @ 9:28 pm
PS: Adorei o template eu voudesenhar o meu com caneta bic ok?
Comment by Geleiras — July 7, 2008 @ 9:31 pm
aqui tá um “saco”, esses dias que mais parecem uma eternidade!
mal posso esperar p chegar aí comer rapadura, e muito churrasco.Ah cuca tb, quero muito.
TEXTO LEGAL,MAS QUERO A CONTINUAÇÃO DO “TRAVEI”.
bj
Comment by jorge — July 8, 2008 @ 5:33 pm
Ok, ser menos sentimental da proxima vez… snuf..
Comment by Eduardo Merculino — July 9, 2008 @ 1:23 am
Eu não tenho bunda grande, é só quadril de gorda mesmo.
Ter bunda de negona era meu sonho =/
Comment by Karol Braun — July 9, 2008 @ 1:44 pm