August 21, 2008

Ciclo


Não estou.
Hoje,  não ligue. Recados não lerei.
                   [ou ignorarei, se a curiosidade bater aguda]
Não faça bico, não deixe rastro.
Não espere que eu veja.
Não espere.
Deixe descansar a campainha.
Baixe o dedo - culpados pra quê?
Não sou.
Hoje, não venha. Portas não abrirei.
                   [joguei o desejo embaixo da cama]
Não olhe pra cima, não vire de lado.
Não queira carinho.
Não queira.
Porque hoje,
hoje botei fora a bolinha azul de todos os anos
E precisarei rolar sobre mim para dormir um sono bom - o sono dos cíclicos.

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August 14, 2008

Eu quereria se II


Mais complicado que querer é pensar no que se quer. Porque pensar implica num esforço e subseqüente plano de ações irrealizáveis que não te levarão a conquistar o objeto de requisição. Vejamos: o sorvete está a 750 quilômetros daqui. Uma atitude razoável seria percorrer os 750 quilômetros e comprá-lo e comê-lo. Uma segunda atitude razoável seria pedir a alguém que - por gentiliza - enviasse o tal do doce até aqui. Por sedex. Uma terceira atitude, nada razável, seria pedir a receita do alimento gelado (para enviá-la a sorveteria mais próxima, evidente). Uma quarta ação seria sonhar com o sorvete e todos os seus gigantes flocos de chocolate ao leite. Uma quinta atitude seria comprar qualquer sorvete similar. Uma sexta atitude seria matar o passante mais próximo, para que a energia gasta com a vontade de ingerir o sorvete seja melhor empregada com a preocupação referente aos trâmites legais que inevitavelmente enfrentarei.

Mas não, dormir faz a vontade passar. E vontade é diferente de dor, né Chico?

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Eu quereria se


Paro e penso no que quero. Carreira - certo. Amor - super certo. Sorvete de menta com flocos - 750 quilômetros distante. Eu deveria querer coisas não monopolizadas, deveria mesmo.

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August 6, 2008

A casa da invenção


De repente não mais que de repente eu comecei a ler e gostar de livros técnicos. Pior: livros técnicos solicitados pela universidade. O ‘da bola’ é leitura obrigatória para a disciplina Ação Cultural: MILANESI, Luís. A casa da invenção: centros de cultura : um perfil . São Paulo; Siciliano, c1991. 189p. ISBN 8526704028. (NBR 6023) 
O livro discute o surto nacional do momento: a solicitação, por parte dos municípios, da criação de "centros culturais". Espaços que, quando construídos, servem apenas para deixar claro a possíveis turistas que "neste lugar se prima pela vida culta da população ADM 2004-2008".
O legal dessa disciplina é que teremos a oportunidade de sonhar uma Casa de Cultura - da arquitetura ao funcionamento. Tenho muitas idéias - MUITAS - completamente utópicas, mas quem sabe algum dia aplicáveis. Não as descreverei aqui porque quero que seja surpresa para meus colegas. Contudo, gostaria de terceiras opiniões: Anti, Tiago, o que deve ter num centro cultura IDEAL? E arquitetonicamente, como seria?

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