Eu quereria se II
Mais complicado que querer é pensar no que se quer. Porque pensar implica num esforço e subseqüente plano de ações irrealizáveis que não te levarão a conquistar o objeto de requisição. Vejamos: o sorvete está a 750 quilômetros daqui. Uma atitude razoável seria percorrer os 750 quilômetros e comprá-lo e comê-lo. Uma segunda atitude razoável seria pedir a alguém que - por gentiliza - enviasse o tal do doce até aqui. Por sedex. Uma terceira atitude, nada razável, seria pedir a receita do alimento gelado (para enviá-la a sorveteria mais próxima, evidente). Uma quarta ação seria sonhar com o sorvete e todos os seus gigantes flocos de chocolate ao leite. Uma quinta atitude seria comprar qualquer sorvete similar. Uma sexta atitude seria matar o passante mais próximo, para que a energia gasta com a vontade de ingerir o sorvete seja melhor empregada com a preocupação referente aos trâmites legais que inevitavelmente enfrentarei.
Mas não, dormir faz a vontade passar. E vontade é diferente de dor, né Chico?