November 26, 2008

dos restos


Lembro que comecei a estudar por necessidade. A televisão não respondia, a rádio só falava de coisas retardadas e meus pais sempre foram meio alheios (“frescura da idade”). Comecei a ler e as coisas aclararam de um modo obscuro: a resposta não existia. Ou melhor, a falta de resposta era a própria solução do questionamento.
Foi quando a Universidade (ambiente de intelectuais e de conhecimento, cóf) passou a preencher minha existência. Estudar continuou sendo necessidade: ou isso ou um histórico catastrófico. A verdade é que piorei em muitos aspectos depois de vir para cá. Já não leio com o mesmo entusiasmo e o mesmo cuidado. “Leitura dinâmica”, é como chamam. Também não escrevo mais da mesma forma nem na mesma quantidade – os textos-diarinhos e textos-historinhas foram suprimidos pelos trabalhos [supostamente] acadêmicos. Mas o maior prejuízo se deu nos relacionamentos sociais. A Academia era a última esperança de re-socialização, e meu insucesso foi desastroso.
Aí eu comecei a ler dois livros que tem me ajudado bastante: Personalidade e Adaptação e A dinâmica da agressão. O primeiro analisa, dentre outras coisas, o conflito, suas causas e patologias decorrentes. O outro livro trata do porquê da agressão e teoriza sobre sua origem e possíveis modos de detê-la. Os dois recorrem constantemente a exemplos que coincidem com o que estou vivendo agora: os conflitos resultantes da saída de casa (independência versus carência) e o comportamento agressivo resultante da frustração (expectativa versus realidade não condizente). E estudar voltou a ser a atividade prazerosa que era no início.
Agora resta me convencer de que ano que vem será diferente: terei meu quarto, meu computador, minha internet e minha privacidade. Eu vou sobreviver, sei que vou.

Why is the last mile the hardest mile ?
My throat was dry, with the sun in my eyes
And I realised, I realised
I could never
I could never, never, go back home again
The smiths - Is It Really So Strange ?

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4 Comments »

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  1. A faculdade, em alguns casos, “bitola”, ao contrário do que dizem.

    Defina “bitolar”.

    Comment by magnus — November 27, 2008 @ 2:37 am

  2. Basicamente, a faculdade (universidade é uma falácia) cria pessoinhas idênticas no constante ao conhecimento e na aplicação deste. Ou seja: welcome to the machine.
    [insira imagem do moedor de carne do filme “The Wall” aqui]

    E sabe que é isso aí mesmo, tipo, a idéia não é propagar o conhecimento (senão não haveria direitos autorais, a meu ver), mas sim reproduzir uma ideologia.
    Nas aulas de história há muitas coisas que não são ditas… Nas aulas de filosofia, idem… Sociologia… Todas essas matérias importantíssimas pra compreensão da sociedade… Nenhuma delas fala do que realmente importa.

    Enfim.

    nem li

    Então. Eu só não consigo me conformar. =/

    Comment by Anti — November 30, 2008 @ 5:33 pm

  3. Daphné :wub:

    Saudades suas.

    Daphné mor-reu.

    Comment by Anti — November 30, 2008 @ 5:35 pm

  4. Estará sempre no meu s2 =P

    Coração mudou de nome agora. jflakjdfçaldf /kinko.

    Comment by Anti — December 7, 2008 @ 2:00 am

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