December 18, 2008

Emo


Em casa (ver Imagem 1). Aqui é tudo tão.
Ir embora. No começo é estranho. Abrir mão do contexto, do plano de fundo. Ir embora é escolher os contornos.
Depois as coisas começam a ter cor novamente. Mas o rosa é pastel, e não choque. E a pintura original nunca some, ainda que muitas outras cores se sobreponham a ela.
Em casa. No quarto que não mais é meu.
Fugir não resolve, hoje eu sei. Serei a mesma em qualquer lugar. Com os mesmos transtornos, os mesmos conflitos. A mesma indagação sobre qual o tipo de loucura que me acomete (porque só pode ser loucura).
E no mesmo quarto eu ouço Sisters of Mercy sem moderação, bebendo vinho e comendo sorvete.

Crush the petals on the floor
We’ll take the steps through the unmarked door
But see her face turn to a mask and passion turn to she don’tcare
Somebody tell me how to use my gun tools
It’s not my party, never will be

Vou voltar. Quando acabar, evidente. Porque aqui é ruim, mas lá é pior. E as pessoas morrem. Morrem sem dizer “tchau” nem “vai tomar no cu”. A culpa não é minha, mas a omissão me torna naturalmente responsável. Não totalmente responsável.
Eu queria ser um nabo, como queria.  

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December 5, 2008

Posteriormente


Fazer depois.
Fazer O QUÊ?
Trocar 19 por 21. Dois anos aqui. Dois.
Família longe, amigos também.
Na terça recebi uma tele-mensagem. Falava do “apesar da distância” e essas coisas. Chorei, claro, porque apesar da rusticidade eu também sou gente.
Pensei que não fosse pesar tanto.
A Universidade agregou duas coisas a minha existência: uma psicóloga e uma quase-depressão.
Fazer depois. Antes de vir pra cá eu pensava em fazer noutro lugar. Agora penso em fazer depois. O obstáculo mudou: de distância passou a ser tempo. Depois.
Fazer O QUÊ?
Viver, óbvio. O problema da Universidade não é exatamente a Universidade, embora também o seja. O problema maior é que ela ocupa todos os orifícios do espontâneo e da vontade própria. A obrigação elimina parte substancial do prazer, quando não o elimina por completo.

Constatação 1: a falta de autonomia abala um intelecto saudável.

O outro problema é o desconforto de quem vem de um interior asséptico, silencioso e de farta mesa. Em dois anos, tive o privilégio de desfrutar de um ambiente só meu por três meses. Divido quarto há mais de um ano e meio, e isso tem destruído meus genes sociais. Além disso, me alimento mal e durmo num colchão que mais parece uma coberta. Mas eu resido perto da Universidade, e isso basta para tornar-me uma pessoa expressivamente feliz, não é, Vaca?  

Constatação 2: a falta de um espaço próprio e cômodo abala um corpo são e desintegra o que restou do intelecto que não dispõe de autonomia.

Mas agora eu tenho 19 anos e uma pereba no canto direito da boca. Já posso encher balões como nunca, ô.

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December 1, 2008

Coluna da Esquerda – do falar


Grupo apresentando seminário referente à aprendizagem em equipe e visão compartilhada, descritos por Peter Senge no livro A quinta disciplina.

Grupo: blá blá é importante termos uma visão conjunta, dialogarmos e aprendermos a ouvir idéias alheias blá blá.
Minha mente: formar equipes é um processo natural. O problema é que, em quase todas as instâncias das redes sociais, somos forçados a trabalhar com quem não nos identificamos. O resultado disso são conflitos de todos os gêneros, de pequenos incômodos momentâneos a doses crônicas de estresse. O comportamento anti-social, não raro, também é fruto de uma convivência imposta. 
A visão compartilhada é o elo que une naturalmente as equipes. Nas empresas e Universidades, contudo, esse elo inexiste. O normal seria crer que todos estão numa organização porque optaram por trabalhar nela, da mesma forma que todos estão na Universidade pelo desejo de aprender os princípios e práticas de uma atividade profissional. Mas não é assim. E é por esse motivo que precisamos aprender algo inato, algo que instintivamente sabemos fazer. Ridículo.
Coluna da Esquerda: Fale agora, fale agora. Não, melhor não. Ninguém concordará mesmo. É. Silêncio é bom. Silêncio acumula. Enche, enche e depois voa. Sempre atinge quem não merecia, mas dane-se. “Deslocamento de objeto” é a denominação atribuída pela psicologia.
Professora: Mais algum comentário?
Coluna da Esquerda: É. Melhor não.

Acontece sempre. Devo entender isso como um problema?  

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