Emo
Em casa (ver Imagem 1). Aqui é tudo tão.
Ir embora. No começo é estranho. Abrir mão do contexto, do plano de fundo. Ir embora é escolher os contornos.
Depois as coisas começam a ter cor novamente. Mas o rosa é pastel, e não choque. E a pintura original nunca some, ainda que muitas outras cores se sobreponham a ela.
Em casa. No quarto que não mais é meu.
Fugir não resolve, hoje eu sei. Serei a mesma em qualquer lugar. Com os mesmos transtornos, os mesmos conflitos. A mesma indagação sobre qual o tipo de loucura que me acomete (porque só pode ser loucura).
E no mesmo quarto eu ouço Sisters of Mercy sem moderação, bebendo vinho e comendo sorvete.
Crush the petals on the floor
We’ll take the steps through the unmarked door
But see her face turn to a mask and passion turn to she don’tcare
Somebody tell me how to use my gun tools
It’s not my party, never will be
Vou voltar. Quando acabar, evidente. Porque aqui é ruim, mas lá é pior. E as pessoas morrem. Morrem sem dizer “tchau” nem “vai tomar no cu”. A culpa não é minha, mas a omissão me torna naturalmente responsável. Não totalmente responsável.
Eu queria ser um nabo, como queria.