Dentre todas as coisas da “civilização” que eu detesto, estão a convivência forçada (e conseqüente anulação da espontaneidade) e a idéia de que todas as coisas estão interligadas por relações de causa e efeito. ‘O ódio e contos ordinários’ é um livro que trata desses dois aspectos, concentrando-se no segundo. Na maioria das histórias, assassinatos e suicídios ocorrem sem qualquer explicação plausível. E é este o ponto: dívidas, traições e depressão realmente justificam a consecução de atos hediondos?
No primeiro conto, a personagem sente um desconforto ao ver outra pessoa. Aos poucos, esse desconforto toma formas de raiva. Poderia ter terminado aí, se ambos não freqüentassem ambientes comuns. A convivência forçada levou ao assassinato. Um deles poderia ter dito ao outro: “- não gosto de ti, afaste-se”. Mas a educação não deixaria – precisamos ser amiguinhos de todos, não é isso que nos ensinam? Ainda que sejamos fruto de relações nem um pouco harmônicas.
É isso. Foi o melhor livro que li nos últimos três meses.
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