March 28, 2009

today is gonna be the day


A essência do sábado está no banho. Mais tempo, mais espuma, mais lâminas. Eu sento e deixo a água lavar o medo. E fico. Até enrugar e sentir que a vida passa como a água que corta o meu corpo e o deixa tragável (para mim e para os outros). Sábado sempre foi o dia do asseio. Da casa, do corpo, da mente. O quarto organizado fica menos acolhedor, é verdade, mas eu gosto da estética rude das coisas em ordem. Gosto também da música que golpeia o cosmos desse ambiente. É por isso que ouço Eths nos sábados e Belle and Sebastian nas sextas.
Sábado também é dia de transgressão sem culpa. Self control nulo. A vontadea mesma de Schopenhauer – é satisfeita em todas as suas extensões. Eu mataria se ela assim ordenasse. Ser presa é uma experiência que, aliás, eu desejo agregar ao meu tesauro interno (expressão ridícula dita por uma professora ridícula).
Sábado só não deveria ser dia de cólica. Shit.

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March 25, 2009

para fins de registro


Essa foi a melhor tarde da minha vida ever. Sem ponto.

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March 23, 2009

hoje não


Acordar. Rosto. Privada. Intestinos limpos. Descongelar uma fatia de pão. Esquentar o leite. Uma colher de café. Quatorze gotas de adoçante. Canela. Cheiro de começo de dia. Banana. Ramones. Quarto. Pão no leite. Como quando eu tinha cinco anos. Louça. Banheiro de novo. Creme dental. Enxaguante bucal. Boca ardida. Maldito álcool. Banho. Lâmina de barbear. Sangue. Sempre o sangue. Toalha. Quarto. Cortinas fechadas. Disco music. Jeans. Blusa não decotada. Dançar. Sem medo de ser feliz. Meias. Via Mundi vermelho. Sempre vermelho. No melhor e no pior da gente. Mochila. Hoje, pesada. CDU. Chaves. Duas portas. Gata. Cafuné seguido de miado. Morro. Descida. Silêncio. Sinal fechado. Sinal aberto. Universidade. Tédio pré-aula. Cabeça vazia. Pela manhã somos mais suscetíveis às barbaridades “ensinadas” pelos mestres e doutores da razão. Intervalo. Amigo da telefonia. A loka. Aula de novo. Impaciência. Fome. Volta. Mercado. Dedicamos um terço da nossa vida à produção e um sexto ao consumo. Casa. Chaves. Almoço requentado. Batida de alface. Três amêndoas. Cinco morangos. Louça. Banheiro. Creme dental. Quarto. Agenda. Ler 122427734 textos desinteressantes. Abacaxi e iogurte. Banho. Roupa. AC/DC. Suor. Um pouco. Bolsa. Bolinhas. Trauma de infância transformado em gosto pessoal? Ônibus. Livro. Com sexo e violência. Trabalho. Cumprimentos. Atendimento ao público. Reinserção de livros na estante. Auxílio na utilização dos computadores. Como envio para outra pessoa um e-mail que recebi? Pouco movimento. Conversar com a colega. Querida ela. Sábia também. Nove horas. Despedida. Ônibus. Mp3. Kings of Leon. Outro ônibus. Morro. Casa. Chaves. Gata. Sopa. Com croutons. Creme dental. Despertador. Sono. Luz apagada. Pensamentos estúpidos. Loop.

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March 22, 2009

abrir escolas no firmamento


Sabe o engraçado? Você fica um tempo sem transar e sente vontade. Sai de casa algumas vezes, vai a algumas festas e nada acontece. Até parece que você vestiu a capa da invisibilidade do Pottah. Daí aparece uma pessoinha, você se esbalda, e, sésamo, o mundo inteiro parece querer te comer.
Minha teoria é a de que a força suprema não aprendeu a dividir com milhos e feijões. Não é possível não saber distribuir as coisas de modo coerente.
A outra teoria é a de que a força suprema queira que acreditemos que tudo é uma questão de escolha. Sim, poderíamos ter um pouco de tudo sempre, mas é melhor não termos nada e depois precisarmos escolher entre todas as possibilidades que não existiam antes.
Situações assim me deixam profundamente irritada. Vou ali ouvir rage against the machine pra ver se passa.

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March 21, 2009

bu


Porque eu adoro terror trash nas tardes de sábado.

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March 19, 2009

“capital intelectual”


Eu adoro ler/fazer coisas inúteis quando deveria estar "investindo em meu capital intelectual para me tornar mais empregável". Agora, por exemplo:

Adoro a minha vida. Mesmo. 

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March 15, 2009

i won


Todo beijo é uma vitória sobre a repulsa. [Larry Durrell apud Robert Irwin em Jogos surrealistas]
Convenhamos: às vezes, a repulsa é uma adversária bem fraca.

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March 12, 2009

Não sou menina


- As meninas costumam me agarrar quando me vêem. Qual seu problema?
- Beleza é para ser admirada. E é difícil conversar com a admiração. Além disso, não sou menina.

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March 11, 2009

do futuro que tropica no passado


Então eu olho velhas fotografias e é só comigo que você está sorrindo.
Eu fui embora. Como a gata que cansa de olhar para o filhote morto. Ela não entende, mas sabe que dali pra frente a responsabilidade não mais é sua. Em pensar que eu era tão criança e tão cheia daquilo. Nunca mais senti tanto. Nunca mais. Eu fui embora e fiquei lá, porque você continua lá. Continua vivendo do mesmo jeito, com a mesma pessoa. – Por que terminar? – você perguntou – e eu morri de vergonha e ódio. Eu não estou mais, foi você que lembrou, e logo depois fez planos. Sempre fizemos planos. Mesmo com ela enfiada em nosso cotidiano. Mas os planos esbarraram em papéis pintados. E eu fiz o papel da vilã.
Mudamos as diretrizes, mas não estou muito certa. Acho que você quer outra coisa pra sua vida. Ela já te sufoca tanto, pra que mais uma? E agora somos adultos e sexo é sempre uma possibilidade. Contamos as mesma piadas, mas às vezes paramos de rir. A malícia inoperante não é engraçada. Você ficou um pouco mais sério e menos magro. Eu gosto de óculos e gordura. Mesmo.
Continuo olhando para as fotografias. Eu também estou sorrindo. Mas eu sorrio sempre, então não faz muita diferença. Lamento pelas coisas que você disse que te ensinei. Mas não lamento muito. Se paramos de nos importar, é porque já sabemos o que vai ser. Eu gosto de brincar de acreditar no futuro. De crer que em 2011 tornaremos a morar dentro das mesmas delimitações geográficas. 

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March 8, 2009

chove chove chove


Algumas considerações sobre o livro ‘hoje está um dia morto’, de André de Leones. Gostei. Meio tediante no começo, mas o que não é?
O retrato de parte da juventude brasileira. Dessa juventude que nunca me aceitou. Não sei se a educação cristã influenciou nisso (apesar do ceticismo). Eu não consigo não esperar por nada. Não consigo consumir nada pra esquecer (salvo comida, mais precisamente chocolate e bolo e brigadeiro e etc.). Tentei manter uma rotina de bebedeira ano passado, mas não funcionou. Ficar torpe por alguns minutos só faz o acordar ser mais doloroso. Eu já quis me matar. Comecei a gostar de química quando soube que o jardim da minha casa podia ser letal. Mas na hora de beber, eu pensei na morte como o tipo de experiência que pode ser adiada. Minha vida não gira em torno do sexo, apesar do instinto que a antropologia nega. Eu sou deslocada, sou mesmo, e não preciso de artifícios pra amenizar a coisa. Nem de artifícios nem de atenção (porque tem aqueles que surtam se não forem notados).
A parte intrigante do livro, que não corresponde à realidade brasileira, é o nível cultural dos dois, ou pelo menos de Jean. Sempre fico frustrada quando leio coisas que ignoram a auto-destruição provocada pela leitura. Querendo ou não, ela (a leitura) traz consigo um certo amargor e desesperança. Às vezes me pergunto se não é o contrário – se não é a desesperança que vem primeiro. E talvez seja isso mesmo, mas a leitura sempre acentua essa coisa ruim que sentimos. Tão ruim que às vezes acaba com uma bala alojada em alguma parte vital do organismo.

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March 7, 2009

interna


Hoje eu lembrei do anão com o machado e tive vontade de dizer a ele tudo o que aqueles dias (e noites) significaram pra mim. Não foi só o afeto gratuito e olhar pra fora da rotina. Foi também o entendimento de um estado mental que ainda não é o meu, mas provavelmente será. E não estou falando de capacidades cognitivas (apesar da inteligência assombrosa da pessoa). Eu tive pena no fim. E não foi dele, foi de mim. Por que eu não faço parte do grupo em que eu pensei estar inserida. Nunca fiz. E a culpa não é minha, é do contexto. Mas, de qualquer forma, eu prefiro ser uma nerd fail a uma bibliotecária de sucesso.

Em suma: adoro-te, Yusa. Apesar de.

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March 5, 2009

gepeto


As coisas começam a dar certo quando paramos de inventar necessidades. E essa invenção se dá, sobretudo, por meio da "consciência da perda". Insistimos em lembrar do que estamos impossibilitados de ter e fazer no momento.
"Seria mais aprazível ingerir uma torta de morangos em vez dessa alface sem gosto".
O principal inconveniente das necessidades forjadas é seu caráter momentâneo. Uma torta de morangos satisfaz um desejo impulsivo, e apenas isso. Não é uma ação agregada a outras capazes de concretizar A grande ambição. E minha grande ambição hoje é cursar engenharia mecânica. Cansei da relatividade das coisas. Cansei mesmo.

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March 1, 2009

internerds and me


Hoje estive pensando em como a minha relação a internet se modificou. Ganhei uma conexão de presente no dia 27 de novembro de 2005. Eu tinha então 15 anos, e faria 16 no dia 2 de dezembro. Lembro que eu não sabia ao certo o que fazer. Comecei criando uma conta no msn e visitando as salas de bate-papo da UOL. Instalei o kazaa, programa que todos utilizavam, e comecei a baixar as músicas que todos ouviam. Devo ter feito só isso durante um mês. Depois, por influência de uma amiga, criei um blog. Esqueci o nome do primeiro. O segundo começou como ‘divagações de uma mente ébria’ e terminou como ‘divagações ébrias’. Os designs ultra-toscos do blogger me ensinaram que os sites são construídos com códigos e um desses se chama HTML. Aprendi porcamente e passei noites de sábado manipulando templates. Pouco depois da metade do ano de 2006, entrei num fórum nerd. Aprendi demais com ele, de curiosidades idiotas à coisas que me seriam extremamente úteis tempos depois. Terminei o ano assim: viciada num fórum e fazendo downloads de bandas underground. Daí passei no vestibular e saí de casa. Em 2007 e 2008 só tive acesso à internet nos computadores da universidade. Como o tempo era pouco, parei de utilizar fórum. Além das pesquisas para os trabalhos acadêmicos, tudo o que eu fazia era ler o cianeto e felicidade e o wulffmorgenthaler, além de usar a versão demo do stumbleupon entre um parágrafo e outro do trabalho que eu estava escrevendo. Hoje, tenho computador e internet em casa de novo. Não tenho orkut, não uso msn, não uso programas para downloads de músicas. Utilizo muito o skype para conversar com meus pais, e o google talk, para saber quando recebo um e-mail novo. Não uso o fórum por não sentir mais necessidade. Faço downloads de filmes e seriados, raramente de músicas. Ainda mantenho um blog, para ter uma razão para escrever quando o word não satisfaz. O site que mais visito é o “como tudo funciona”, descoberta bem recente.
Internet em casa num computador portátil foi a melhor coisa que me aconteceu esse ano. A segunda melhor foi the big bang theory (terminei toda a segunda temporada ontem). A terceira foi AC/DC. A quarta, cold case. A quinta, bem, a quinta eu ainda não sei. Espero que aconteça no sábado. Hum-dinger!

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