chove chove chove
Algumas considerações sobre o livro ‘hoje está um dia morto’, de André de Leones. Gostei. Meio tediante no começo, mas o que não é?
O retrato de parte da juventude brasileira. Dessa juventude que nunca me aceitou. Não sei se a educação cristã influenciou nisso (apesar do ceticismo). Eu não consigo não esperar por nada. Não consigo consumir nada pra esquecer (salvo comida, mais precisamente chocolate e bolo e brigadeiro e etc.). Tentei manter uma rotina de bebedeira ano passado, mas não funcionou. Ficar torpe por alguns minutos só faz o acordar ser mais doloroso. Eu já quis me matar. Comecei a gostar de química quando soube que o jardim da minha casa podia ser letal. Mas na hora de beber, eu pensei na morte como o tipo de experiência que pode ser adiada. Minha vida não gira em torno do sexo, apesar do instinto que a antropologia nega. Eu sou deslocada, sou mesmo, e não preciso de artifícios pra amenizar a coisa. Nem de artifícios nem de atenção (porque tem aqueles que surtam se não forem notados).
A parte intrigante do livro, que não corresponde à realidade brasileira, é o nível cultural dos dois, ou pelo menos de Jean. Sempre fico frustrada quando leio coisas que ignoram a auto-destruição provocada pela leitura. Querendo ou não, ela (a leitura) traz consigo um certo amargor e desesperança. Às vezes me pergunto se não é o contrário – se não é a desesperança que vem primeiro. E talvez seja isso mesmo, mas a leitura sempre acentua essa coisa ruim que sentimos. Tão ruim que às vezes acaba com uma bala alojada em alguma parte vital do organismo.