sixteen, clumsy and shy
Nhá,
É esta inquietação que insiste em não findar.
Que se aproxima imperceptível, exclama um "Oi!" sarcástico
[e vejo agora as dobrinhas no canto de sua boca],
Senta-se no sofá e ordena autoritário que lhe tragam um café quente, forte e sem reticências.
E ali permanece.
Quisera eu que o café não fosse fugaz, que as borboletas corpulentas não se esgueirassem para longe, como o fazem também as sombras…
Ele então pisa forte, lembra-me de sua existência (ou da minha própria?) e ameaçador pragueja:
- Ou tu faz,
Ou te encho de interrogações!
Raios.
Neste instante vejo-me aqui, ao seu lado.
Ele me olha com o rabo do olho, arqueia-se sobre a página, bisbilhota o que pretende a grafite que se fixa ao papel (ou é o papel que risca a grafite?).
Nhu…
As cobertas dão seu ultimate.
Amanhã, quem sabe.
E Este:
Fui ao encontro da janela e lancei a rosa ao além. Eu que não admitia o eterno. Não reconhecia o horizonte. Ah, tolice. O que são oito anos?
Desfiz-me de outras coisas, também. Valor sentimental é utopia.
Recomeçar. Haverá palavra mais irônica?
Outros dias virão. Outras pessoas. Outros poemas.
E a cada novo encontro eu sorrirei internamente: já acabou.
Em que outdoor se encontrará a alma que a mim jamais foi concedida?
Em que rua estarão as pegadas do caminho que jamais percorri?
Por hora, dêem-me cobertas.
O sol já começa a traspassar a janela e, grosseiro, alastrar-se pelo cubículo…
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16 anos. Eu sabia como aproveitar o tempo naquela época. Como sabia.