June 28, 2009

retrospectiva


Esse foi um semestre diferente porque FINALMENTE entendi que:
- Pensar não importa;
- A adolescência é um período perigoso da vida humana. A Universidade foi o meio que encontraram para fechar as fendas de interrogações deixadas por ela;
- Pessoas não podem ser filtradas. Haverá gente imbecil em todo e qualquer ambiente, quer eu goste, quer não;
- O acaso é um andarilho muito sábio que deveria virar nômade;
- Intelectuais são insuportáveis;
- Intelectuais são REALMENTE insuportáveis;
- Vodca e vinho têm efeitos similares antes de apresentações orais. A diferença é que a vodca não faz sua cara explodir;
- Escrever é uma coisa bem legal quando se tem quinze anos;
- Welcome to the machine deveria substituir we are the champions em cerimônias de formatura;
- É possível desaprender em um mês o que se custou a aprender em dois anos (ou solidariedade é meu toba (substantivo masculino?) com um lacinho);
- Mudar hábitos alimentares é um exercício ímpar de auto-conhecimento (junto? separado?);
- Livros infantis deveriam ser menos adultos.

Receita de se olhar no espelho

se olhe de frente
de lado
de costas
de cabeça para baixo
pinte o espelho
de azul dourado vermelho
faça caretas ria sorria
feche os olhos abra os olhos
e se veja sempre surpresa

quem é você?

[Receitas de olhar, de Roseana Murray]

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June 21, 2009

angulo obtuso


Me ocorreu hoje que: se determinadas coisas precisam ser vistas de determinada perspectiva para parecerem boas, então, em essência, essas coisas não podem ser tão legais quanto querem que acreditemos.

A vida, por exemplo.

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June 6, 2009

experimentar


Algumas palavras saturam. “Experiência”, por exemplo. É nela que tudo finda. É nela que todos acreditam. Se a situação foi frustrante, é a experiência que conta. Se não foi, é uma experiência para ser guardada na caixinha cor-de-rosa de experiências do nosso coraçãozinho dourado. Mas pior do que tudo, é a redução que fizeram da coitada. Sim, porque experiência (não na acepção científica, evidentemente) é tudo e qualquer coisa que não fazemos cotidianamente. Viajar, a priori. Eu sei que é interessante, é divertido, faz a gente conhecer pessoas e culturas diferentes e etc. etc., mas não é algo que tem o poder de modificar algo no meu âmago. O impacto de uma viagem é passageiro, o impacto de uma experiência, não.
É por isso que eu evito algumas coisas e busco outras. Algumas experiências podem ser adiadas – a de usar drogas, por exemplo. É bom recorrer a determinadas coisas quando não se precisa delas. Com a ansiedade e o vício não se brinca (foi a experiência que me ensinou). Por outro lado, a experiência de ir dormir após o término de outra história de Hellblazer tem mudado tudo. Eu fico pensando e pensando e me comparando ao Constantine. No dia seguinte eu acordo leve – e com razão.
O problema é que as pessoas não entendem que privar-se é uma experiência. Permitir-se também. E tentar equilibrar as duas coisas, idem.
Eu não acho que conhecer a Biblioteca Nacional vá fazer eu amar ou odiar minha profissão. Mas eu sei que prestar um serviço no lugar em que eu nasci fará toda a diferença EM mim. É uma questão de escolhas e de perspectivas. Hoje eu digo com segurança que eu sei o que me faz bem, apesar das minhas ações nem sempre coincidirem com isso. Mas eu tento.

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June 5, 2009

Livro sobre nada - Manoel de Barros


Não é por me gavar
mas eu não tenho esplendor
Sou referente pra ferrugem
mais do que referente pra fulgor.
Trabalho arduamente pra fazer o que é desnecessário.
O que presta não tem confirmação,
o que não presta, tem.
Não serei mais um pobre diabo que sofre de nobrezas.
Só as coisas rasteiras me celestam.
Eu tenho cacoete pra vadio.
As violetas me imensam.

Mais alguém para rechear os agradecimentos do meu TCC. John Constantine não estará só. 

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