December 18, 2007

Ouvido é um bem adquirido


No princípio, havia o silêncio. E depois fez-se o fósforo e fez-se a caixinha de som para computador – o universo irrompeu em estardalhaços.
Não tive uma infância musical como todas as pessoas de boa índole tiveram. Papai gostava de Teixerinha e eu amava Chiquititas. E amava fazer aqueles cadernos de letras de música de criança, muitas das quais nunca cheguei a ouvir.
Dos 10 aos 12 anos vivi sem escutar nada voluntariamente. Até o dia em que me perguntaram ‘e aí, você gosta de Hangar?’ ‘Hanq?’ ‘Hangar, alô, o da estrela guia!’ ‘não sei do que você está falando…’ ‘vo você nã nã não sabe?’ ‘não, ué’ ‘SUA INCULT, NOSSA AMIZADE ACABA AQUI! *sai pisando firme*’.
Não tínhamos aparelho de som com leitor de cd ainda e o jeito foi apelar para o rádio. Meu deus, eu havia descoberto a rebeldia: cpm22, capital inicial, biquíni cavadão, detonautas, engenheiros do hawaii, nenhum de nós, legião urbana, titãs, charlie brown jr. E o pior, motivo de futuros arrependimentos: abria a boca pra dizer que amava essas joças. Aos 14 ganhei um computador com entrada para cd e eu não precisava mais ouvir a voz de sino rachado da radialista. Daí eu passei a ouvir infinita highway até Donkey Kong travar e o computador precisar ser reiniciado (sim, eu usava o wmp). Cantava julho de 83 querendo acelerar o tempo e ter 15 anos. Colocava primeiros erros no repeat pra tentar entender se era ‘sol’ ou ‘sal’. Enfim.
Foi quando deus abençoou essa casa com a internetchê. E eu descobri o soulseek. Baixei Anathema e Lacuna Coil por causa dele e Nightwish por causa do fantasminha. Beatles e Tiersen vieram logo depois e eu amaldiçoei com força o que havia ouvido até então (exceto legião urbana). O Brasil não sabia fazer música (exceto Renato Russo). Meio ano depois eu seria apresentada aos mutantes por ele e a secos e molhados por ele. Me arrependi de ter xingado o Brasil. Depois veio a mpb, com Buarque e Jobim puxando a carroça. Tom Zé era assim bizarro e eu precisei aprender a ouvir. Bidê ou balde e ultraje a rigor faziam as caminhadas à faculdade parecerem mais rápidas e Rita Lee chegou pra renovar o penteado dos beatles. Anticontrole mandou baixar casa das máquinas e sanduíche de queijo fez dessa a minha banda preferida (por um dia). Pato fu e Zeca Baleiro já garantiram seu lugarzinho no meu hd e sapatos bicolores está a 70%. Depois quero ver qual é a do cachorro grande, ultramen e Wander Wildner.
Férias pra baixar, exílio para ouvir. Ai, ai.
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November 12, 2007

dá dá dá


Encarnei Tristan Tzara: vou compor um poema “infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público” (essa foi a definição dada ao escritor, mas eu quero atribuí-la ao poema, dá licença). Tive a originalíssima idéia de aglomerar frases bonitinhas de músicas bonitinhas. Na verdade, são trechos que eu PRECISO cantar quando ouço a composição da qual fazem parte. E sim, eu tenho tendências emo-depressivas, não diga. O título da ‘ode’ foi inteligentemente retirado do dicionário, para fazer jus ao título do texto. Na seqüência, ta-ram ta-ram, GUTA-PERCHA:

Guta-percha

You don’t have to go home, but you can’t stay here
It was really nothing (It was your life)
What the hell am I doing here, I don’t belong here
Eu nem sinto meus pés no chão
I want to change it all
Heaven’s a lie
There’s no one in this life to be here at my side
Não adianta dormir que a dor não passa
Sixteen, clumsy and shy, that’s the story of my life
Minha namorada da primeira vez, onde estás deitada e que forma tem teu rosto agora?
Old loves they die hard, old lies they die harder
That my family don’t seem so familiar
Do you ever dream of escaping?
I’ll run away with you
Se ela quer flores, que cheiro elas têm, marsupiais são do bem
Learn to cry like a baby, then the hurting won’t come back
Let’s go to bed!
Freedom is only a hallucination
Não quero é vender flores nem saudade perfumadas
Maybe I just wanna fly
I wanna shut the door and open up my mind
Find me somebody to love
Amanhã há de ser outro dia…
It’s time to leave your sheltered cage, face you deepest fears
O sol é um só, mas quem sabe são duas manhãs
Estou fugindo casa
When you’re strange, faces come out of the rain
Que coisa mais chata, eu não quero me casar
Life on the other hand won’t let us understand we’re all part of the masterplan
Love sets me free, the prisoner is now escaping
Vá embora e feche a porta, tenho frio, aham
The future’s uncertain, and the end is always near
There’s no reason for living with a broken heart
Pois há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca
I used to dream, you used to fly
Fly me to the moon, let me sing among the stars
Nove milhões de dias chuvosos inundarão a cidade, afogarão invejosos
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Love is all you need
Um caminho a percorrer, um sentido a refazer, um país para trocar uma esperança nova no ar
No safety or surprise, the end.

Pergunte a deus quais os artistas citados, que eu tenho preguiça de digitar todos eles. Agora eu vou ali fazer uma cobrinha com caixas de ovo. Tchau.

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November 6, 2007

Fabricando Tom Zé


 
 
Ah, Zezinho. Indicação de + o Hilquias (artigo denota intimidade, né?).
- Baixe Grande Liquidação porque eu gosto mais de Estudando o Samba.
Baixei. Fiz o down, tá ligado?. E meu desgosto foi enorme, grande mesmo. Mó sensação de WHAT THE SHIT?. Não lembro se na ocasião disse isso a ele (Hilquias) ou não. Lembro apenas que, por consideração (opinião de [agora ex] namorado deve ser levada em conta, acho) não enviei o álbum para a pasta trash, a primeira a ser excluída quando o HD enchia (40 gb, céus).
O tempo passa e as casas também. Sem internet, fui/sou obrigada a ouvir DIREITO o montante de coisas que baixei compulsivamente durante um ano inteirinho. Tom Zé. Acho a primeira música bonitinha. A segunda eu passo. A terceira eu ouço do começo ao fim. Mais uma vez. E outra. E cantarolo o dia todo. Namorinho no portão, suspiro. Do tempo em que pegar na mão era um sacrilégio ante o público, mas passo pulado quando ‘no reservado’.
Assisti ao documentário na sexta. Ri pacas. O cara é MUITO engraçado, figurão dos grandes (ninguém percebeu o pleonasmo, disfarça). Quando ele fala sobre tocar enceradeira, quando ele mostra aos gringos que brasileiro não foi feito para ser pisado, não senhor, vá pra porra. Enfim. E teve bônus: Mutantes cantando ‘dois mil e um’, letra ‘inacabada’ de Tom.
Agora eu vou esperar as férias para baixar Estudando o Samba e fazer média com Hilquias, wub.

É somente requentar,
E usar
Porque é made, made, made
Made in Braziiiiiil.
*dobra o joelho*

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