September 20, 2009

Michelangelo é meu alter ego


Uma vez eu li um divertido tutorial sobre stencil. Daí hoje é domingo e eu tirei o dia pra mim. Arranquei as capas plásticas de algumas apostilas velhas, sacrifiquei uma esponja nova e saiu isso:

 

e isso: 

 

A próxima vai ser "Reading is sexy". Só não encontrei um desenho bacana (e fácil) pra colocar junto. Alguma sugestão?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 10, 2009

Multidão


Um roubo ensina muita coisa.
Ensina que o princípio da burocracia é verdadeiro: em essência, todas as pessoas são má intencionadas. Além disso, mostra que algumas pessoas seriam capazes de sacrificar coisas importantes pelo seu bem estar.

Não sei o que é pior:
andar pelas ruas preocupadamente, esperando por um ataque surpresa conferido por um maníaco qualquer

ou esquecer que pessoas matam e morrem todos os dias e, vez por outra, nem se dar conta de que sua carteira e sua mochila desaperecem como que por mágica.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 9, 2009

Dieta só é apenas dieta. Dieta junto é…ah, esquece


A única meta que eu fixei para esse ano foi a seguinte: dar um up na minha qualidade de vida. Comecei mudando de residência - quarto só meu agora. Pedi um laptop para meu pai e, apesar do sovinice, acabei ganhando. Parei de estudar dia-noite-noite-dia e voltei dar importância às minhas necessidades intelectuais (que nunca são aquelas do pacotão oferecido pela Universidade). Também passei a sair mais, a conversar mais, a me permitir mais.
A mudança mais drástica, contudo, foi alimentar. Nas férias de janeiro encontrei o cardápio que uma nutricionista elaborou quando eu tinha 14 anos. Relembrei as consultas com a profissional e a desculpa que utilizei para justificar minha pouca persistência - é difícil abrir a geladeira todos os dias e refutar os doces que estão à mão. Mais difícil ainda olhar para a comida da mamãe e do papai e não poder ingerir metade (um amido de cada vez, frituras não, molhos nem pensar, etc. etc.). Percebi então que tenho hoje a qualidade essencial que me faltava na época - amadurecimento. E decidi, ainda em casa (nas férias), mudar devagarinho alguns hábitos.
Agora os resultados: tenho 1,54 de altura. Em janeiro, eu estava com quase 72 kg. Hoje, peso 61 kg. Eliminei 10 kg e a intenção é perder mais 7 kg. Difícil? Óbvio. Mas absolutamente suportável. Principalmente se você atentar para as pequenas mudanças que uma alimentação melhor acarreta: sono sem interrupções, TPM praticamente inexistente, cólicas menstruais nulas, evacuação facilitada, ansiedade reduzida, tranqüilidade, melhor concentração, cabelo mais tchan, pele idem. O bem-estar é geral, inclusive de consciência.
Então, Karol, leve isso em consideração. Encare o bem estético como um bônus, e não como a razão da mudança. Os alimentos que você vai evitar POR ALGUM TEMPO são já tão conhecidos seus…Tente coisas novas, coisas diferentes [que são saborosas também]. Depois de habituada, você olhará para uma coca-cola como algo que agride seu organismo.
E conte comigo pro que for necessário - é mais difícil embarcar sozinha nesse tipo de situação. O meio social é o principal obstáculo do gordinho.
Para os demais, mesmo os magros, fica a dica: um chocolate é infinitamente mais gostoso quando comido esporadicamente e em pequenas quantidades.

Up: Ignorem a reportagem da Super Interessante que trata do assunto. Fazia tempo que eu não via tanto clichê aglomerado num espaço só. Sem contar no tom desestimulante da coisa: emagrecer é para poucos, não sei quantos 500% voltam a engordar depois de não sei quanto tempo e NENHUMA dieta serve pra ti. E o tipo de alimento não importa - calorias importam. Coma apenas brigadeiro todos os dias e seja feliz.
(Indexação semestre que vem e já sou fera na coisa. JESUS que me aguarde.)

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 8, 2009

Sim, de novo isso


Daí a menstruação atrasa e, embora o desespero, você pára para pensar seriamente no que faria se estivesse grávida. A internet está cheia de relatos e lugares-comuns: - mimimi, abortei e agora minha consciência pesa, não faça o mesmo, não faça. Outros são mais plausíveis: - tive uma hemorragia, fui internada e meu útero foi retirado para que minha vida pudesse ser salva.
Pensei: eu abortaria sem problemas. Não é a razão que faz do homem, homem? Um punhadinho de células são pessoas em potencial, mas não são gente ainda. O problema é a segurança – a minha, claro. Pessoas já morreram utilizando aquele comprimido cujo nome todos conhecem. Outras tiveram filhos mal-formados. Outras ficaram com seqüelas irreparáveis. Não quero isso para mim, muito embora eu também não queira o filho. Não agora.
Daí lembrei do woman on waves, uma ong que realiza abortos em países em que a prática é proibida. Fuçando no site, encontrei a Rede Feminista de Saúde, uma organização brasileira que não realiza abortos, mas faz campanhas e fornece assistência informacional a quem deseja abortar.
Quando o governo acordará para a realidade? É como as drogas: quem quer, usa. O desespero leva milhares de mulheres à morte todos os anos. E ninguém faz nada. Isso sem contar as questões pragmáticas: é triste ter consciência de que nem no meu corpo eu posso mandar. Se existem métodos contraceptivos que não são 100% eficientes, o que nos resta?
Mulher sofre, como sofre.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


April 6, 2009

um sinal, apenas um


Dear God
Faça o favor de repintar as paredes do domingo. Eu sou mais laranja, mas quem manda é você e, bem, fazer o que. A questão é que domingo não pode continuar desse jeito – mofado, caindo, com titica de barata num canto e traças em outro. Sim, é um pedido
                         [olha minha cara de humilde].

No aguardo.

[Sem atenciosamentes, porque esse papel já tem ator]   

 

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 25, 2009

para fins de registro


Essa foi a melhor tarde da minha vida ever. Sem ponto.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


March 22, 2009

abrir escolas no firmamento


Sabe o engraçado? Você fica um tempo sem transar e sente vontade. Sai de casa algumas vezes, vai a algumas festas e nada acontece. Até parece que você vestiu a capa da invisibilidade do Pottah. Daí aparece uma pessoinha, você se esbalda, e, sésamo, o mundo inteiro parece querer te comer.
Minha teoria é a de que a força suprema não aprendeu a dividir com milhos e feijões. Não é possível não saber distribuir as coisas de modo coerente.
A outra teoria é a de que a força suprema queira que acreditemos que tudo é uma questão de escolha. Sim, poderíamos ter um pouco de tudo sempre, mas é melhor não termos nada e depois precisarmos escolher entre todas as possibilidades que não existiam antes.
Situações assim me deixam profundamente irritada. Vou ali ouvir rage against the machine pra ver se passa.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


February 24, 2009

Relacionamentos [de novo]


Estive assistindo coisas sobre relacionamentos e cheguei às seguintes conclusões:
- eles custam dinheiro. Não se envolva se não puder pagar;
- eles demandam tempo. Não se envolva se os únicos momentos disponíveis são aqueles que você utiliza para encontrar-se consigo mesmo;
- eles requerem mudança de mentalidade. Não se envolva se não puder pensar no outro quando estiver com ele;
- eles exigem concentração. Não se envolva se não puder estar mentalmente presente quando isso for necessário (o egocentrismo difere o item anterior deste);
- eles exigem assunto. Não se envolva se você é do tipo que mantém idéias fixas ou gostos extremamente extravagantes.
E, por fim,
- eles demandam sentimentalismo. JAMAIS se envolva se sua personalidade for essencialmente rude.

*Higiene, livros e objetos cor-de-rosa foram omitidos da lista por questões de incontestabilidade.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


February 23, 2009

I’m back


Então eu lembrei que existia uma idéia-no-começo-de-tudo: escrever sobre o que me torna tão eu, tão assim. Porque ontem eu percebi que minhas referências ficaram em qualquer lugar menos em mim.
Começo amanhã.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


December 18, 2008

Emo


Em casa (ver Imagem 1). Aqui é tudo tão.
Ir embora. No começo é estranho. Abrir mão do contexto, do plano de fundo. Ir embora é escolher os contornos.
Depois as coisas começam a ter cor novamente. Mas o rosa é pastel, e não choque. E a pintura original nunca some, ainda que muitas outras cores se sobreponham a ela.
Em casa. No quarto que não mais é meu.
Fugir não resolve, hoje eu sei. Serei a mesma em qualquer lugar. Com os mesmos transtornos, os mesmos conflitos. A mesma indagação sobre qual o tipo de loucura que me acomete (porque só pode ser loucura).
E no mesmo quarto eu ouço Sisters of Mercy sem moderação, bebendo vinho e comendo sorvete.

Crush the petals on the floor
We’ll take the steps through the unmarked door
But see her face turn to a mask and passion turn to she don’tcare
Somebody tell me how to use my gun tools
It’s not my party, never will be

Vou voltar. Quando acabar, evidente. Porque aqui é ruim, mas lá é pior. E as pessoas morrem. Morrem sem dizer “tchau” nem “vai tomar no cu”. A culpa não é minha, mas a omissão me torna naturalmente responsável. Não totalmente responsável.
Eu queria ser um nabo, como queria.  

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


December 5, 2008

Posteriormente


Fazer depois.
Fazer O QUÊ?
Trocar 19 por 21. Dois anos aqui. Dois.
Família longe, amigos também.
Na terça recebi uma tele-mensagem. Falava do “apesar da distância” e essas coisas. Chorei, claro, porque apesar da rusticidade eu também sou gente.
Pensei que não fosse pesar tanto.
A Universidade agregou duas coisas a minha existência: uma psicóloga e uma quase-depressão.
Fazer depois. Antes de vir pra cá eu pensava em fazer noutro lugar. Agora penso em fazer depois. O obstáculo mudou: de distância passou a ser tempo. Depois.
Fazer O QUÊ?
Viver, óbvio. O problema da Universidade não é exatamente a Universidade, embora também o seja. O problema maior é que ela ocupa todos os orifícios do espontâneo e da vontade própria. A obrigação elimina parte substancial do prazer, quando não o elimina por completo.

Constatação 1: a falta de autonomia abala um intelecto saudável.

O outro problema é o desconforto de quem vem de um interior asséptico, silencioso e de farta mesa. Em dois anos, tive o privilégio de desfrutar de um ambiente só meu por três meses. Divido quarto há mais de um ano e meio, e isso tem destruído meus genes sociais. Além disso, me alimento mal e durmo num colchão que mais parece uma coberta. Mas eu resido perto da Universidade, e isso basta para tornar-me uma pessoa expressivamente feliz, não é, Vaca?  

Constatação 2: a falta de um espaço próprio e cômodo abala um corpo são e desintegra o que restou do intelecto que não dispõe de autonomia.

Mas agora eu tenho 19 anos e uma pereba no canto direito da boca. Já posso encher balões como nunca, ô.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


November 26, 2008

dos restos


Lembro que comecei a estudar por necessidade. A televisão não respondia, a rádio só falava de coisas retardadas e meus pais sempre foram meio alheios (“frescura da idade”). Comecei a ler e as coisas aclararam de um modo obscuro: a resposta não existia. Ou melhor, a falta de resposta era a própria solução do questionamento.
Foi quando a Universidade (ambiente de intelectuais e de conhecimento, cóf) passou a preencher minha existência. Estudar continuou sendo necessidade: ou isso ou um histórico catastrófico. A verdade é que piorei em muitos aspectos depois de vir para cá. Já não leio com o mesmo entusiasmo e o mesmo cuidado. “Leitura dinâmica”, é como chamam. Também não escrevo mais da mesma forma nem na mesma quantidade – os textos-diarinhos e textos-historinhas foram suprimidos pelos trabalhos [supostamente] acadêmicos. Mas o maior prejuízo se deu nos relacionamentos sociais. A Academia era a última esperança de re-socialização, e meu insucesso foi desastroso.
Aí eu comecei a ler dois livros que tem me ajudado bastante: Personalidade e Adaptação e A dinâmica da agressão. O primeiro analisa, dentre outras coisas, o conflito, suas causas e patologias decorrentes. O outro livro trata do porquê da agressão e teoriza sobre sua origem e possíveis modos de detê-la. Os dois recorrem constantemente a exemplos que coincidem com o que estou vivendo agora: os conflitos resultantes da saída de casa (independência versus carência) e o comportamento agressivo resultante da frustração (expectativa versus realidade não condizente). E estudar voltou a ser a atividade prazerosa que era no início.
Agora resta me convencer de que ano que vem será diferente: terei meu quarto, meu computador, minha internet e minha privacidade. Eu vou sobreviver, sei que vou.

Why is the last mile the hardest mile ?
My throat was dry, with the sun in my eyes
And I realised, I realised
I could never
I could never, never, go back home again
The smiths - Is It Really So Strange ?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


September 15, 2008

Não quero chamar de tpm


Tem dias em que tudo dói. A vida, sobretudo. Esse querer inexistir, esse desejo pelo vazio. Não pelo vazio cotidiano, conhecido de todos. Mas pelo vazio transcendental que nos confere a qualidade de não ser. Sem complemento.
Porque a negação faz flutuar os mais convictos e os mais sinceros. Aos outros, serve de subterfúgio, tendo efeito similar à ingestão massiva de danoninho caseiro.
Eu sou uma atéia sem necessidade de crenças. Verdade.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


July 22, 2008

Enquanto o sangue não vem


Menstruação atrasada. Dentro do prazo, mas atrasada. Eu fiz tudo certo, sei que fiz. Até despertador eu coloquei pra tomar a droga da bala na mesma hora sempre. Eu sei que virá, sinto um pouquinho de cólica desde ontem. Mas ainda assim o desespero. Saco.
Então lembrei de um texto que li para meu hímen um dia, e decidi colocá-lo aqui, para o público masculino tentar sentir um pouco de uma das grandes angústias femininas. A opinião sobre o aborto é a mesma que eu sustento.

 

Minha opinião sobre aborto? Bem, digamos que a essência é a mesma, mas os argumentos mudaram consideravelmente.

Antes:
É egoísmo obrigar a vir ao mundo uma criança que não será querida. E ela sabe disso, ah, se sabe, antes mesmo de nascer. Pra que? Pra ter mais um sem ter o que comer, onde estudar, onde trabalhar? Pra criar mais uma família desestruturada onde só há desentendimento e frustração? Pra mais uma criança abandonada na rua? Não, meu amigo, se você não vai dar uma boa estrutura familiar (e refiro-me a questões financeiras e afetivas) não me faça essa sacanagem com um inocente, porque de gente problemática o mundo já está cheio.

Depois:
Menstruação atrasa. Teste da farmácia dá positivo.Putaqueopariu, não dá pra confiar em camisinha. Por que diabos eu fui parar de tomar a merda da pílula? Nessa hora eu não pensei na vida que daria pra criança, pensei na minha. Na faculdade e no curso técnico por terminar, no estágio, em tudo o que eu ainda queria fazer, nos projetos de sair da casa dos meus pais, de passar uns anos trabalhando fora, de juntar uma grana e me perder no mundo sem dar sinal de vida pra ninguém, de ter casa própria…
Depois pensei na minha mãe, na decepção que ela teria, nos sonhos todos que meu pai coruja tinha feito para a única filha dele, no que eu diria, e se diria, pro ex (sim, porque Murphy rege a minha vida e o namorico de pouco mais de um mês tinha recém terminado). Pensei em pedir abrigo pra pseudo-tia que mora em outro estado, ter a criança e entregá-la a uma instituição, mas mamãe trabalhava com serviço social e eu já conhecia histórias escabrosas suficientes sobre esses lugares. Pensei em virar mãe e entrei em pânico só de pensar na possibilidade de acabar odiando a criança e culpando-a por todas as minhas frustrações. Pensei que naquela altura eu era o orgulho da família, a neta exemplar que trabalhava sem parar e nunca tinha tirado uma nota baixa na vida, e na cara com que iria olhar para o clã no almoço de domingo. Pensei na minha mísera fonte de renda e na mesada que ainda recebia, nos anos de economia de papai para que pudesse se aposentar e morar na praia e se teria coragem de pedir que abrisse mão deles.
Pensei em aborto. Em tomar remédio pra úlcera e provocar emorragia. Pra garantir, também pensei em agulha de tricô vagina adentro. Foda-se o que acontece depois, o importante é que sai. Pensei em procurar uma clínica, mas como é que eu encontraria algo do tipo se não podia contar pra ninguém? Sim, porque eu estava planejando um crime, não podia comprometer as pessoas em quem confiava obrigando-as a serem cúmplices. Isso fora a consciência me chamando de assassina.
Passei noites sem dormir e quando finalmente conseguia pregar os olhos tinha pesadelos com choro de criança. Eu não podia ter um filho. Não daquele jeito. Eu sonhava, e ainda sonho, em casar e ter filhos. E se desse tudo errado e eu ficasse estéril? E se meus pais tivessem que assistir ao enterro da própria filha depois de um médico desconhecido dizer que ela sofreu complicações decorrentes de um aborto mal feito?
Alguns dias depois o raciocínio lógico consegui se sobrepor ao conflito entre culpa e desespero e fiz exame de sangue. Negativo.

Saldo final:
Não sei dizer quanto tempo isso levou. Poucos dias com certeza, decididamente os piores de toda a minha vida. Este depoimento levou dois dias pra ser escrito, pois em determinados momentos a vista embaçava demais, em outros a emoção tomava conta e eu ficava impossibilitada de escrever frases com começo, meio e fim ou qualquer coisa que fizesse sentido. E isso porque eu não fiz um aborto. Mas faria e provavelmente até o último minuto não saberia se aquela era a decisão certa. Pense agora em quem chegou às vias de fato.
Voltando ao assunto principal, que diferença faz a descriminalização? A diferença de poder dividir a angústia, de ter apoio psicológico, de poder conversar sobre isso e tomar atitudes mais conscientes. Diferença de entrar num hospital, submeter-se a um procedimento acompanhada por uma equipe de confiança e ter a quem recorrer caso algo saia errado. Crime ou não, mulheres desesperadas continuarão fazendo abortos. Que pelo menos sobrevivam a eles, e com a menor quantidade de seqüelas possível.

 

Fonte: http://www.verbeat.org/blogs/coerencia/arquivos/2005/09/

 

————————–

Update: VEIO. *suspiro de alívio*
E mês que vem será essa mesma aflição de novo. E de novo. E de novo.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


July 14, 2008

do relacionar-se e outras batatinhas


Nunca entendi o desespero que circunda as não-relações e as relações amorosas. No primeiro caso temos como exemplo mais exímio o solteiro, popular encalhado, não-pegador, nerd e loser. Estar só é vergonhoso, um crime quase. E a maioria daqueles que se encontra em tal condição mal espera pelo momento de sair dela. Por quê? Porque não sabe conviver consigo mesmo, seja pela inexistência de uma identidade sólida, seja pela necessidade incontrolável de trocar líquidos com outrem.
A aflição existente no segundo caso é ainda mais crítica: o solteiro, que não via a hora de estar com alguém, não sabe conviver com este alguém. É inseguro, possessivo, ciumento. Exige que o companheiro lhe forneça senhas de e-mails e cartões bancários. Não admite a individualidade do outro, a vida pessoal do outro.
Concordo que, num primeiro relacionamento, isso é admissível. Mas depois de uma primeira experiência muitas lições são/deveriam ser extraídas, e a principal delas refere-se a integridade social do companheiro. Ciúme sempre haverá – sinto bastante, inclusive – mas isso não me concede o direito de intervir na vida/círculo social daquele com quem escolhi dividir momentos de cumplicidade.
Quem reprime demais o parceiro, das duas uma: ou será traído, ou será deixado.
 

E tudo isto porque estou cansada de me sentir uma criminosa toda vez que converso com meu talvez-único amigo, uma vez a cada meio ano. E também porque, depois de três anos de retiro, eu encontrei alguém com quem partilhar vinho e chocolate e quintas-feiras.  

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


July 13, 2008

Férias, oi


O mais legal das férias e desse lugar-no-meio-do-mato é que se pode cantar alto – MUITO alto – sem maiores constrangimentos. E viver a nostalgia. Intensamente. Como só é possível quando se passa as férias no lugar-no-meio-do-mato em que se cresceu e chorou e caiu e descobriu os grandes segredos metafísicos do mundo (vulgos “revolucionarei o sistema com o róque enrow” e “só me realizarei depois de abraçar um esquimó”).
Eu era feliz. Apesar do tédio, da solidão e das brigas de panela com mamãe. Mas essa felicidade não me cabe mais: encurtou, deixou pernas à mostra. Quero mais. A idade avança e o inconformismo também.  Às vezes eu acho que deveria trabalhar mais. Às vezes eu acho que deveria viver mais. Às vezes eu não acho: abraço o travesseiro e fico – que a vida é curta e eu tenho que acariciar meu ego às vezes, no bom sentido. Ultimamente eu tenho tido vontade de me gastar – fazer tudo até não agüentar mais. Mas a única coisa que tenho feito até dizer “chega!” é dormir. Coisa que farei agora – o sono pesa e a dor-do-mundo-todo-nas-costas também.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


July 4, 2008

Passou


Eu não sou mais branca e preta.
Não mesmo.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


May 19, 2008

Não deveria ser


Nas mãos  o traço de quem deveria estar sob a tampa de uma sepultura. O traço de quem permanece viva mas o faz sem possuir direito. Os traços que cortam a sensibilidade ao meio e assim a divide em quatro metades. Metades deveras. A cada delas, a porção da vida que não aconteceu. As mãos guardam tatos que se esqueceram de realizar, como disse Quintana (deve ter sido Quintana).
As mãos. Pequenas e inquietas (o pequeno tende a ser inquieto). As mãos correm o corpo à procura de feridas. Feridas precisam ser tateadas para serem sentidas, para termos consciência delas. As feridas só são feridas se forem tateadas. Do contrário, não passam de impregnações da consciência.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


December 22, 2007


Oi.
:essameninatemtalento:

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


December 17, 2007

Jornalismo, biologia, biblio…até quando?


A vida é um eterno reaprender. Você esquece o guarda-chuva um dia, chove, a gripe vem e os juramentos de levar o guarda-chuva pendurado no cinto soam alto, que é para a vizinhança inteira ouvir. Uma semana depois o dia está nublado, guarda-chuva para quê? vem a tempestade e com ela não uma gripe, mas uma pneumonia. E no fundo é gostoso - molhar faz bem e lubrifica a…esquece.
Um dia ensinaram que se deve olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, que se deve dar risada ao cair (para todos pensarem que não doeu, mesmo, o sangue é psicológico e os pontos também), que se deve bater na madeira para…para…alguém me ajuda? Mas não, nunca olhamos, o carro que espere. Ao cair esbravejamos, a cicatriz será para a vida toda, rir de quê? As batidas não damos mais – em época de campainha, ninguém pensará que há gente a bulir na porta.
Um dia amamos, não muito, mas o suficiente, e logo acaba. Aí juramos convictos que “nunca mais, cruzcredo que eu vou me deixar enrabichar de novo”. Uma sacada, uma janela, e quem disse que conseguimos ficar neutros por muito tempo? Oh, danação!
Um dia choramos, cortamos os pulsos, tomamos qualquer coisa com a caixinha preta (balinha da vovó) e nada acontece, o desconhecido não se apresenta e, dessa vez, quem promete não fazer de novo não é você, mas são seus pais.
Um dia nos ensinaram onde fica a bicúspide e a tricúspide. E numa hora decisiva a memória parece falhar. Não falha – esquecemos de aprender de novo.
Um dia nos disseram que a vida é feita de escolhas. Tudo bem, até a teoria do caos deixar todos em considerável pânico e aquele diretor imbecil gravar Efeito Borboleta.
Antes era fácil. Se passar, não farei. Mas agora dói. É como se eu estivesse jogando minha vida inteira fora em função de um sistema imbecil que diz que o mercado está acima de tudo (acima até de chocolate). Eu não queria passar, não queria escolher. As coisas podem continuar como estão, assim, uma merda, e daí?
Não percam os próximos episódios de “Dani, a menina que queria voar”. Ali, naquela mesma banqueta e naquele mesmo, err, aquilo é um jornal?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


December 16, 2007

Você também tem criança pequena?


Então eu estava na 22° Feira do Livro aqui de Floripa, que por sinal eu nem sabia que estava acontecendo. Eu queria Madame Bovary. Eu precisava, não vou decepcionar o povo da oficina de leitura, achando o quê?
Então eu percebi o quanto adoro e odeio esse evento. Adoro porque todo lugar que tem livro é gostoso e fica parecendo a casa da gente. Odeio porque o dinheiro sempre é pouco, papai é pobre e livro não enche barriga. Mas eu faria de Madame Bovary uma exceção. Aí tá. Numa barraca eu vejo Lira dos vinte anos por R$3,00. Mexo mais e encontro A origem das espécies por R$4,00. Parte I. Acho a parte III. A moça vem e diz que três livros são por R$10,00. Parte II, onde? Não, não tem. Foi quando uma mulher com uma criança de colo parou ao meu lado e começou a falar e falar e eu custei a entender que ela estava pedindo dinheiro. Raiva? Pena? Não sei, mas gente que pode comprar livro pode fazer uma doação de vez em quando.
Onde eu morava não tinha disso. Mendigo era coisa distante, coisa de TV. Sou de um lugar onde o capitalismo funciona. Com os seus porens, mas funciona. Aqui, dói ter que passar indiferente por uma pessoa que dorme na rua. Dói não poder ajudar a todos que pedem. E a frase do professor de sociologia ecoando, ecoando: “esse nosso olhar burguês, que faz com que sintamos pena dessa gente. Não devemos sentir nada, devemos é questionar que sistema é esse, que marginaliza muitos e soergue poucos e blá blá”. Então é só xingar o sistema e pronto?
Não sou pobre, não sou rica. Sempre tive o suficiente e mais um pouco. Um pouquinho. E é quase inconcebível imaginar que não sei quantos trinta por cento da população brasileira consegue viver com 1 (UM) dólar por ano.
Saldo do dia: um pocket da Martin Claret e a dor-do-mundo-todo nas costas. Passará até eu ser interceptada de novo.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


December 10, 2007

Muwhahaha


Vestibular ontem. Vestibular daqui a pouco. Vestibular amanhã. Português, mole mole. Interpretação das mais porcas. Algo como: “Ritinha e o namorado foram ao parque pela manhã”. Pergunta: Onde Ritinha foi pela manhã? Gramática estava fácil demais, e tenho medo de coisas fáceis demais. Inglês, não sei, muitas questões com apenas uma alternativa, devo ter cometido vários equívocos. Discursiva de história: Diretas já! Barbada, vai negar? Mas deixei incompleta – não lembrava como andava a droga da economia naquela época (a inflação começou quando, minha gente?). E a redação, diliça. A começar pela liberdade. Estava lá: escreva um TEXTO. Não era dissertação, essa coisa chata, era UM TEXTO, UM TEXTO!
O primeiro tema envolvia os livros indicados. Esse tipo de proposta é perigosa, sei lá. A segunda sugestão era assim:

LOL, primeiro eu pensei em qualquer coisa que terminasse em “preciso de um martelo” ou coisa que o valha. Mas reli a bagaça e pedia para ter a complementação da frase [acima] como embasamento. E em primeira pessoa, era óbvio que deveria ser escrito em primeira pessoa. Tá, né? Redigi qualquer coisa com o seguinte título: “…um domingo, uma coberta e todos os abraços”. HAHAHA. Ri depois, mas não dava tempo de reescrever tudo. Citei Pessoa, quanta audácia. “Preciso amar, viver não”. Usei muitas aspas, muitas indagações, vou tirar um 6,0, bem feito. O terceiro mote era sobre os indígenas. Eu sei escrever sobre tudo, menos sobre índios, pensei no momento.
Hoje, matemática, biologia e geografia. Mole. O grosso é amanhã, física e química e história. Química, veja lá, mas física?
Então é isso. Um parecer mais completo na quarta, com gabarito em mãos. Bejoks.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


November 1, 2007

Você percebe que leva uma vida ociosa quando…


…passa um DIA INTEIRO imaginando situações envolvendo seres humanos com sistema digestório incompleto:
- Mor, tá subindo, momento.
- Cidadãos deste país: na condição de presidente prometo cóf cóf…*corre* [interrompemos a programação etc.]
- Não existiriam gays, omg.

…e anos mais tarde os professores ensinariam que “o esfíncter da válvula cárdia foi uma importante adaptação da espécie blá blá”. Melhor, “o esfíncter VOLUNTÁRIO da válvula, enfim.

Ai, náusea.

Bem interessante para um primeiro texto, vai negar?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------