September 26, 2009

Clube da luta


De uns tempos pra cá eu tenho pensado muito em coisas materiais. Antes não era assim, porque não havia razão para ser assim. Mas hoje, depois de me submeter a tantos inconvenientes, eu só penso no depois: no concurso em que passarei, na casa que terei, no carro que comprarei, na casa que darei aos meus pais, na decoração, nos livros, na parede cheia de quadrinhos e partituras.
Daí acontece Clube da Luta. Eu assisto e choro: porque o vazio é vazio sempre, com ou sem cama confortável.

 Chorar é só o que dá para fazer nesta escuridão asfixiante,
dentro de outra pessoa,
quando você percebe que tudo o que já fez
não passa de lixo.

Não sei quem inventou esse jogo de dar e destruir esperanças. É uma constante: você quer, você luta, na metade descobre que o resultado ficará muito aquém do esperado e no fim percebe que de nada adiantou.

 É só um momento, disse Tyler,
você dá um duro danado, mas um momento de perfeição vale qualquer esforço.
Um momento é o máximo que se pode esperar da perfeição.

E a dor – sempre ela – fundamentando tudo. O fim de qualquer coisa é o sofrimento. A igreja faz isso por meio do pecado. O sistema faz isso por meio do dinheiro. A mídia faz isso explorando ilusões.
Tudo é um grande logro. Você acha que não, mas terminará no fundo do poço. Pobre ou rico, o fundo do poço é o mesmo para todo mundo. Tédio e fome tem efeitos similares quando experimentados em excesso. Clube da Luta foi um tapa na cara. Não muito forte, porque sem bens materiais não iríamos muito longe. É isso que nos distingue dos homens primitivos: possuímos apêndices. Os selvagens são completos. Nós somos os nossos computadores, rádios, TVs e livros.
O livro e o filme ressuscitaram idéias antigas: se ninguém concorda com as convenções socialmente aceitas, porque continuamos fazendo de conta que a vida é assim mesmo?

O importante é não esquecer o resto de você
quando uma parte vai mal.

E teve ainda a exposição da nossa fragilidade – física e intelectual. A exposição da nossa suscetibilidade, nossa capacidade de dominação e submissão (a uma ideologia, a uma pessoa, a um trabalho). A elevação do ser humano ao nada. Se começássemos nossa existência com o pressuposto de que nada somos e de que não existe razão alguma para estarmos vivos, certamente apreciaríamos tudo isso com outro paladar. Mas não, precisamos sempre fazer algo para sermos alguém. “Ser alguém” é sempre um projeto futuro, nunca uma qualidade presente.
Mas o pior, o pior mesmo, é rebelar-se internamente e ser um exemplo de “cidadão ideal” nas práticas cotidianas. É essa minha maior frustração.

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March 21, 2009

bu


Porque eu adoro terror trash nas tardes de sábado.

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February 26, 2009

The big bang theory


[…] deixe que eu lhes diga que a minha pesquisa vai continuar, ininterrupta, e que relacionamentos sociais vão continuar a me confundir e a me causar repulsa.
Eu sou mais ou menos como o Sheldon. Com 70 pontos de Q.I. a menos, claro. E sem aquela capacidade de falar de modo rápido e lógico. E olhem o que eu achei: http://www.sheldonshirts.com/. Quero essa, apesar de não ser do Sheldon:

 

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February 24, 2009

Cold Case


Cold Case é o tipo de seriado que expõe as fragilidades humanas. Em cada episódio, há algum fato que cutuca nosso íntimo, que mexe com nossos transtornos. O ponto forte da série é a exploração de perfis psicológicos: religiosos fanáticos, donas de casa, nerds, obesos, etc. A trilha sonora também é impecável: a música certa para a situação certa. Ao término de cada episódio, fico me perguntando: e a mim, qual fim trágico me foi reservado? Porque não teria graça se não fosse trágico. Ainda que a coisa mais trágica já tenha acontecido: minha existência.   

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January 28, 2008

Mais uma coisa


Abrindo uma exceção porque achei sobre o que falar.

Já escrevi por aí o que tenho feito à tarde (depois de acordar ao meio-dia, lavar a louça e assistir “Todo mundo odeia o Chris”).

A desocupação fez com que eu olhasse três filmes em um único dia. Tó:

1. Tudo por um sonho – Diretor desconhecido aqui.

Sabe, eu achei que foi a metamorfose do Kafka numa versão a-fantástica. Eles viviam em Cuba, mulher e filha vão pros States e o marido, por alguma razão obscura, julga preferível ficar por aqui mesmo, dançando valsa com o Fidel. Aí ele sente saudades e quer ir para lá também, mas, por um motivo também oculto, não consegue. Depois de 20 anos ele finalmente vai. Bom, o miolo: marido e mulher esperam 19 anos, 11 meses e 25 dias para se reencontrar. Não conseguem de imediato, mas quando acontece, dão-se conta de que não, o policial tem os dentes melhores e a vendedora de flores não tem peito caído. Fim.

 

2. Viajantes do tempo – Diretor obscuro aqui.

Puta filme legal. Um homem e um menino viajam pelos fatos históricos. O engraçado é que Dumont não aparece – os inventores do avião são os Irmãos Wright, inquestionavelmente. Foi por isso que, em algum momento do passado, eu desisti de História (tá, e também o mercado: dar aula não é para mim). É tudo relativo, tudo manjado. Ninguém tem culpa, bandidos são heróis, vivas, vivas. Fora o fato da política fundamentar tudo. Enfim. De 1984 ficou aquele trecho: o que é história? É registro e é memória. Os registros a gente manipula. A memória a gente controla.

Depois de assistir o longa deu aquela vontade de estudar. Um ano fazendo cursinho, absorvendo tudo mecanicamente, decorando tudo sem a devida análise. Hitler foi homem, teve alguém que limpou suas fraldas, disse sua primeira palavra (“heil!”), chorou algum dia, sorriu também. Depois ele realizou aquilo que a gente algum dia teve vontade de realizar, mesmo que inconscientemente. E achamos ruim (não me responsabilizo pela opinião dos habitantes de Pomerode).

E teve Robin Hood também, ai meu deus. Fucem em alguma locadora de VHS, vale a pena.

 

3. Projeto secreto macacos – Diretor misterioso aqui.

Regular. Relata as experiências realizadas, supostamente, nos EUA durante a Guerra Fria. A idéia era saber quanto tempo os pilotos sobreviveriam em uma terceira guerra, considerando-se que esta seria quase que exclusivamente nuclear e, portanto, sujeitaria todos à radioatividade. Os bichinhos escolhidos para as simulações eram macacos, porque eles são geneticamente semelhantes aos humanos e blá blá. É a polêmica atual: usar animaizinhos indefesos em laboratórios é ético?

Francamente, não sei. Quando sacrificam pessoas em rituais religiosos (hoje designados macabros) todos bufam. Mas se for a favor da ciência, pode, é pelo bem de todos, pelo bolso de alguns e para o bolso de poucos. Né?

Agora sim, eu volto em Março. Bitocas, amores.

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January 12, 2008

Paris, te amo


ATENÇÃO: este post não contém spoilers. Ele É um grande spoiler. Grata.
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Ah, então: são 21 curtas de cinco minutos cada. Xô tentar lembrar alguns:

- Lonely man: daí uma mulher desmaia ao lado do carro e “two less lonely people in the world…”;

- Menina árabe/islâmica que conhece um menino não árabe/não islâmico e a história acaba com os três caminhando serelepes e saltitantes pelas ruas da cidade (bônus: + pai);

- Lonely woman: viaja para Paris e não retorna casada. Absurdo;

- Dead son: ela fica repetindo “mamãe, cowboys ainda existem, é verdade, eu li nos livros”. E um cowboy marca um reencontro entre mãe e filho;

- Velhinhos divorciados, sentados a uma mesa de bar, conversam sobre os trâmites do desquite. Ao término, concluem que ambos adotarão o parceiro alheio e viverão felizes, os quatro;

- Velhinhos brigando de fronte a uma stripper, que lindo;

- Turista – EVITE ENCARAR OS ANFITRIÕES. Aprendi, ok;

- Vamps. O beijo entre essas criaturas consiste em DEVORAR o pescoço do parceiro? Muito original;

- Cabeleireira amarela-ninja-sexy. LOL, Amelie figurou mais que as protagonistas;

- Filha e pai conversam acerca de coisas que remetem ao marido da filha. Mas não, era do filho desta que estavam tratando;

- Casal em lua-de-mel antecipada resolve visitar o cemitério do Père-Lachaise (Morrison está nele, óun). Eles brigam e Wilde ajuda na reconciliação. Que fofo.

Não lembro do resto. Êêê.

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January 6, 2008

Assim, perfeito?


Faz uma semana que eu não durmo. Na verdade, não é que eu realmente não durma: passo as noites naquele estado de sonolência que existe entre o dormir e o despertar. Olhem como eu sou legal – explicando minha ausência quando, em verdade, não devo absolutamente NADA a ninguém.

Ok.

Ontem assisti a “Mulheres perfeitas”. Passou na Globo sim, por quê? Ãhn.

q 

- Acompanha um vibrador pink com adesivos da hello kitty! o/ 

 

Então, o filme é tão nada a ver quanto a realidade. Sabe, o perfil da ‘mulher ideal’: gostosa, ordeira, submissa, comprometida com os afazeres do lar e a educação dos filhinhos guti-guti. Elas eram robôs e seus maridos tinham controles remotos. Te contar que queria muito um daqueles para controlar a mim mesma e tal e etc. *hihihi*

O filme é tão imbecil e a mensagem tão batida que eu achei que teria valido mais a pena ter passado esse tempo deitada na cama. Acordada. Olhando para o filete de luz que passa através da janela. Filete que a modernidade trouxe: antes era escuro e legal. Agora tem aquele pontinho de luz chato. Demoramos para perceber que nossos quartos amadureceram. Triste.

“Nada é perfeito”, “não é por        que seu marido peida durante o sexo que você precisa se separar dele!” e “O gato de Schrödinger não morreu” são as grandes lições deixadas por essa obra prima do cinema. Cóf.

Assistam. Não é justo que eu seja a única a desperdiçar 90 minutos da minha vida com esse lixo. Pensem nisso, pensem em mim.

*gosma*

*aceno*

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November 6, 2007

Fabricando Tom Zé


 
 
Ah, Zezinho. Indicação de + o Hilquias (artigo denota intimidade, né?).
- Baixe Grande Liquidação porque eu gosto mais de Estudando o Samba.
Baixei. Fiz o down, tá ligado?. E meu desgosto foi enorme, grande mesmo. Mó sensação de WHAT THE SHIT?. Não lembro se na ocasião disse isso a ele (Hilquias) ou não. Lembro apenas que, por consideração (opinião de [agora ex] namorado deve ser levada em conta, acho) não enviei o álbum para a pasta trash, a primeira a ser excluída quando o HD enchia (40 gb, céus).
O tempo passa e as casas também. Sem internet, fui/sou obrigada a ouvir DIREITO o montante de coisas que baixei compulsivamente durante um ano inteirinho. Tom Zé. Acho a primeira música bonitinha. A segunda eu passo. A terceira eu ouço do começo ao fim. Mais uma vez. E outra. E cantarolo o dia todo. Namorinho no portão, suspiro. Do tempo em que pegar na mão era um sacrilégio ante o público, mas passo pulado quando ‘no reservado’.
Assisti ao documentário na sexta. Ri pacas. O cara é MUITO engraçado, figurão dos grandes (ninguém percebeu o pleonasmo, disfarça). Quando ele fala sobre tocar enceradeira, quando ele mostra aos gringos que brasileiro não foi feito para ser pisado, não senhor, vá pra porra. Enfim. E teve bônus: Mutantes cantando ‘dois mil e um’, letra ‘inacabada’ de Tom.
Agora eu vou esperar as férias para baixar Estudando o Samba e fazer média com Hilquias, wub.

É somente requentar,
E usar
Porque é made, made, made
Made in Braziiiiiil.
*dobra o joelho*

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